“O bem difunde-se por si mesmo” é uma afirmação há muito conhecida. Aquele que se vê enriquecido com um bem deseja comunicá-lo pela tendência do próprio bem a difundir-se, como acontece com a luz. Esta é a tarefa do líder: ensinar, transmitir a outros, generosamente, o resultado do seu próprio esforço.
Tal como fez Fernão Capelo Gaivota no livro de Richard Bach, que retornou ao seu lar para ensinar a arte de voar com liberdade e destreza, incluindo entre seus destinatários aqueles que antes se opuseram a ele.
Esta vontade de compartilhar com outros o bem que uma pessoa traz consigo funda autêntica vida comunitária. Esta existe quando os bens materiais são repartidos, e de modo especial quando estes bens são espirituais.
É impresionante observar o vínculo que se estabelece entre as pessoas que cantam num coro. Cada uma se sente autônoma, segue uma linha melódica independente, mas, fazendo-o, participa de um conjunto harmônico no qual todas as demais se apóiam mutuamente e tecem uma rede de formas sonoras de uma riqueza que supera em muito a de cada voz em separado.
Cada cantor, ao mesmo tempo em que ocupa uma posição de independência, apóia-se nos outros e os apóia, enriquece-se e os enriquece, contribui para a criação de um âmbito de sonoridade e, simultaneamente, sente-se nutrido por este âmbito.
Trabalhar em grupo com este espírito de independência e solidariedade é via régia para configurar o novo Humanismo da unidade, da criatividade e do serviço que eminentes pensadores vêm promovendo desde as décadas de 1920-30 , visando a criar uma figura de homem novo e perfilar uma nova época, um modo novo e mais perfeito de pensar, sentir e querer.
“Estamos no começo de uma nova época da história humana — escreve K. Friederichs— e, portanto, de uma nova imagem do mundo. Isto significa, como sempre, uma enorme ampliação do horizonte espiritual, mas, além disso, o acesso a ‘novas’ dimensões, ao supra-sensorial. Significa o início de um saber claro a respeito de algo que sempre se pressentiu; ou, para ser mais exato, o que os mais versados de todos os tempos sempre souberam começa a tornar-se acessível a todos”.
A tarefa específica do autêntico líder é ser uma “abelha do invisível” — expressão de Rainer Mª Rilke —, um ser capaz de captar o essencial de cada movimento cultural, de cada manifestação nobre do espírito humano, e transmiti-lo às pessoas de modo sugestivo e persuasivo, comunicando o melhor ao maior número possível. |