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Duas palavras sobre este Diário
Entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2009, acreditando que seria sinal de bom-senso (agora com hífen!), comecei a escrever um diário virtual — http://novaortografia.blogspot.com/ — com o intuito de estudar, acompanhar o que aconteceria em torno da questão, e incentivar outras pessoas a conhecerem as novas regras ortográficas. Reorganizei agora seu conteúdo e o apresento com algumas pequenas alterações/atualizações, sem prejuízo do seu caráter datado, da captação dos acontecimentos em sua hora viva.
A adesão brasileira ao Acordo tem obedecido ao ritmo próprio de um país que lê pouco. Oficialmente, podemos esperar até o ano de 2012 para conhecer, entender e adotar plenamente as mudanças, que não são tantas, afinal, nem tão profundas, embora exijam algum esforço e boa dose de boa vontade. Pelo que pude perceber até agora, mais da metade da população brasileira, a par ou não deste prazo concedido por lei, encontra-se à margem da nova... e da antiga ortografia. De qualquer forma, as pessoas mais atentas, os profissionais mais cuidadosos, mais preocupados com a escrita, e os meios de comunicação mais atuantes “compraram” a ideia, sem o acento!
Estamos ainda em período de transição, com algumas incertezas no ar. E muitas águas hão de rolar sob esta ponte. Penso, de modo particular, na atitude de vários e renomados intelectuais portugueses, e em parcelas significativas do povo lusitano que reagem mal ao Acordo, considerando-o inútil ou, pior, interpretando-o como tentativa brasileira de se impor no mundo lusófono. Penso também nos povos africanos que têm a língua portuguesa como idioma oficial e, às voltas com imensas dificuldades no campo social, econômico e político, veem essas questões ortográficas como algo um tanto ou quanto irrelevante. Muitas águas hão de rolar...
Em 2009, ministrei alguns cursos e oficinas sobre o Novo Acordo para professores, revisores, editores, pesquisadores... Os interessados em conhecer minha proposta de trabalho podem clicar aqui.
E aos leitores deste Diário, um bom voo... sem circunflexo!
 
Gabriel Perissé
São Paulo, 2 de janeiro de 2010

 

1º de janeiro de 2009.
Inconsequência...
A partir de hoje é recomendável (está na lei) que todos comecem a escrever de acordo com o novo Acordo Ortográfico. Surpreendente, por isso, a decisão tomada pelo Governo Federal, pelo Senado e pela Câmara dos Deputados de não assumirem o compromisso de colocá-lo em prática no início da sua vigência!

Casa de ferreiro... Inconsequência...

Este Acordo Ortográfico começou a ser gerado na década de 1980, foi assinado em 1990, mas regulamentado apenas em setembro de 2008. A lentidão do processo pode ter gerado a falsa impressão de que não era algo tão urgente assim.

Certamente não é fácil adquirir novos hábitos de escrita, por menores que sejam. É preciso que as pessoas estudem um pouco, estejam mais atentas para não deixar escapar uma idéia com acento, um trema, um vôo com circunflexo.

A ideia é chegar a escrever “ideia” sem pensar duas vezes. E considerar a palavra “voo” a coisa mais normal do mundo.
 
2 de janeiro de 2009.
Boa estreia
Alguns veículos de informação estão fazendo uma boa estreia no uso das novas regras ortográficas. O jornal A Folha de S. Paulo fez questão de montar manchete com “preveem” sem circunflexo:

Nova ortografia
Por outro lado, era previsível que os textos publicados na internet continuassem com a grafia antiga, como neste exemplo:
"Infra-estrutura como serviço suporta expansão da SMARTtech."
Em tempo, “infraestrutura” é agora sem hífen (cf. Base XVI).
 
3 de janeiro de 2009.
Capas sequestradas
Novas edições de determinados livros terão seus títulos alterados pelo Novo Acordo. É o caso das obras em que aparece a palavra “seqüestro”. O trema caiu. Embora, verdade seja dita, seu fantasma continuará rondando nossas vidas, nossos textos. O próprio verbete “trema”, nos dicionários, será testemunho de sua presença na história do idioma.

Eis algumas capas sequestradas...

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
4 de janeiro de 2009.
Sem paranoia
Leio e transcrevo algumas opiniões:
“Sou contra o acordo. Sei que isso é um tiro no próprio pé, pois, se o acordo passar, vou ser chamado para fazer muitas palestras. Mas não quero esse dinheiro, não. Com outro espírito, outra proposta, uma unificação talvez fosse possível.” (Pasquale Cipro Neto)
“É uma reforma tímida, que não traz grandes inovações. Mas não gostei. Queria que meus tremas ficassem onde estão. Os escritores mais velhos e mais preguiçosos têm de confiar no pessoal da editoração para fazer as mudanças necessárias no texto.” (João Ubaldo Ribeiro)
“São 10 milhões de pessoas em Portugal e mais de 180 milhões no Brasil, e os livros portugueses não são bem-vindos no Brasil. Para eles, é um mercado enorme, e para nós também será ótimo.” (Cícero Sandroni)

“Desejo êxito e muitos bons livros, escritos à forma antiga ou moderna, e que não me obriguem a escrever de outra maneira nos poucos anos de vida que me restam.” (José Saramago)
São apenas cerca de 5 palavras modificadas a cada mil, mas o Acordo gerou e continuará gerando opiniões diversas, resistências, adesões, defesas, ataques.
Na minha opinião, entre os benefícios, está o de provocar essa discussão, levar ao estudo da ortografia, chamar nossa atenção para a importância do idioma. Há ainda alguns problemas, dúvidas, impasses, mas nada de paranoia!
 
5 de janeiro de 2009.
Autoajuda ortográfica
Em horas de desespero... Enquanto aguardamos o tão esperado Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras (previsto para novembro de 2008, e agora para fevereiro)... Quando a dúvida é cruel... recomendo um dicionário de autoajuda — http://www.mobi.aulete.com.br/:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
7 de janeiro de 2009.
Os pingos nos us!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Agora vêm alguns dizer que é preciso colocar os pingos nos us! Tarde demais...
Há quem afirme que ninguém está seguro. Até a cedilha poderá ser fuzilada. Por que não? O grafema ç desapareceu do idioma espanhol. No início do século XVII, Cervantes assinou documentos com Ç inicial — Çervantes.
 
9 de janeiro de 2009.
Indicação bibliográfica
Um livro sobre o Acordo Ortográfico: Boa ideia!:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Com o selo da Saraiva, da autoria de Jônatas Junqueira de Mello, destina-se aos “advogados, estudantes e curiosos”. O texto do Decreto sobre o Acordo e as próprias Bases vêm em anexo.

O autor observa (isso ainda não se comentou muito) que o travessão acaba de perder uma de suas funções. Era atribuição sua ligar palavras ou grupos de palavras do tipo “eixo Rio—São Paulo”, “sentido norte—sul”, “linha aérea Brasil—Portugal”. Agora cabe ao hífen esse papel: “Rio-São Paulo”, “norte-sul”, etc.
 
10 de janeiro de 2009.
“Eu coo, eu moo”, de Ruy Castro
Texto de Ruy Castro publicado hoje, na Folha de S. Paulo, que transcrevo na íntegra:

Não olhe agora, mas tenho a impressão de que a reforma ortográfica, que está queimando as pestanas dos que vivem da língua portuguesa — professores, jornalistas, escritores, editores de livros, locutores de TV e rádio, publicitários —, foi feita só para suprimir o trema. É o único ponto sobre o qual ninguém parece discordar.

O atroz dilema do hífen — co-habitar ou coabitar? —, o degredo do acento agudo de palavras como jibóia e averigúe e a horrível morte de certos circunflexos estão levando gramáticos às fuças. Sem o chapeuzinho, por exemplo, como conjugar verbos como coar e moer? Eu coo, eu moo? Muitos se rebelam contra tais alterações e ameaçam ir às últimas para não ter de escrever antissegregacionismo, bensucedido ou ad-renalina.

Enquanto isso, os dois inocentes pontinhos sobre lingüiça, qüinqüênio, pingüim etc. foram varridos pelos lingüistas sem a menor contemplação, como se contaminassem a escrita com sarna ou beribéri. Na verdade, para muitas pessoas, o trema já vai tarde, porque elas nunca o usaram, com ou sem reforma. Pois, a partir de agora, quero ver alguém se sair bem numa argüição, a começar pela pronúncia desta palavra sem o trema.

Um dos argumentos para a reforma é a de que a dupla ortografia impedia a difusão da língua portuguesa no exterior. Temo que, com o acordo, a língua continue secreta fora dos países lusófonos, mas, pelo menos, estará unificada.

Unificada? Para meu orgulho, já tive alguns livros traduzidos para inglês, japonês, alemão, espanhol, italiano, russo e polonês. É natural — como poderiam ser lidos naqueles países se não fosse assim? Mas nunca entendi por que um deles, “Carmen: Uma biografia”, ao ser lançado em Portugal, teve de ser radicalmente traduzido do português para o... português.
 
11 de janeiro de 2009.
E os sebos?
Os donos dos sebos têm demonstrado certo receio com relação ao Acordo Ortográfico. Temem que os livros antigos se desqualifiquem. Em parte, têm razão. Em parte, apenas, porque o frequentador típico dos sebos está preparado psicologicamente para assumir essas e outras defasagens. Conheço um revisor, sebista inveterado, que decidiu treinar seu conhecimento das novas regras, fazendo nos livros as modificações necessárias.
 
12 de janeiro de 2009.
Novo adiamento
O lançamento do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, previsto inicialmente para novembro de 2008, foi adiado para fevereiro... e agora foi remarcado para o dia 2 de março.

Estamos todos aguardando esta obra que, com o aval do gramático Evanildo Bechara, solucionará algumas dúvidas e impasses. E não só isso. Vai nos ajudar a saber o que realmente mudou. Só esperamos que o Vocabulário não envelheça antes mesmo de vir à luz.
A propósito, “anti-rugas” não tem mais hífen. Agora é “antirrugas”. O que obrigará alguns produtos a alterarem seus rótulos.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
13 de janeiro de 2009.
Assembleia de Deus
Assembleia não tem mais acento. As igrejas que usam essa palavra terão de atualizar-se, em nome do Acordo. A menos que se trata de um nome registrado, como se fosse o nome de uma empresa, o que, como está previsto, permitirá, no caso, a manutenção do acento.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
14 de janeiro de 2009.
Trema sem “vergüenza
A eliminação do trema entre nós, brasileiros, foi uma claríssima concessão em nome do Acordo. Seria mais difícil reintroduzir o trema na vida dos portugueses, que o eliminaram há meio século. A imagem visual da palavra sem trema agride um pouco os que aprenderam a usá-lo. E há o receio de que, no futuro, falemos “sekestro” e coisas que tais.

O trema existe em outros idiomas. Em espanhol, por exemplo, no “u” das sílabas “gue” e “gui”, quando pronunciadas: vergüenza, ambigüedad, pingüino... Como no Brasil, até o dia primeiro deste ano.

Em francês, o tréma é empregado para impedir que duas letras sejam pronunciadas num único som. Lait (“leite”), pronuncia-se [lé], ao passo que naïf (“ingênuo”), pronuncia-se [ná-íf].

Os dois pontos em cima de algumas letras também ocorrem no catalão, no alemão, no neerlandês, no albanês...
 
16 de janeiro de 2009.
Vamos todos adoptar o Acordo?
Os portugueses fazem distinção entre “Português Europeu” e “Português do Brasil”. Tal distinção tende a ser menos marcada a partir de agora, pelo menos na escrita. O Acordo foi pensado com este objetivo. Nós, brasileiros, costumamos nos referir ao “Português de Portugal”. Contudo... o Português não é de ninguém. É de todos aqueles que “moram” neste idioma.

O sucesso do Acordo dependerá de que todos comecemos a adotar... ou adoptar as novas regras! Sem mais adiamentos ou desculpas.

Há resistências aqui e lá. Resistência também nos países africanos, porém com menos intensidade. Em alguns casos, na África, o problema é que o Acordo Ortográfico não é tão urgente quanto outras questões, até mesmo de sobrevivência e organização social.

As resistências nascem da dificuldade natural e compreensível de aceitarmos mudanças. Quem já passou 30 anos escrevendo de determinada forma, não consegue, da noite para o dia, desprender-se de certos hábitos. Mas quem tem flexibilidade para fazê-lo... demonstra verdadeira capacidade de escrever!
 
17 de janeiro de 2009.
Acordo e didática
Ontem, uma boa matéria no Diário de Canoas (RS):

Não basta só falar, é preciso (re)aprender a escrever
Assimilar as regras e exercitá-las é a dica para se adaptar ao acordo ortográfico.
Letícia Rodrigues/Jornal NH

Novo Hamburgo - As mudanças na escrita da língua portuguesa provocadas pelo acordo ortográfico, que entrou em vigor no dia 1.º de janeiro, andam confundindo muita gente. Para tentar se adequar às novas regras, muitos têm recorrido a cursos e treinamentos. Ontem e hoje, o professor e mestre em linguística aplicada Paulo Flávio Ledur está em Novo Hamburgo ministrando um desses cursos.

Autor de Guia Prático da Nova Ortografia, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre de 2008, o estudioso conta que foi contra o acordo por considerá-lo simplificado. “Mas agora precisamos nos adaptar”, diz. Ele explica que as principais modificações estão relacionadas à acentuação e ao emprego do hífen. “Um aspecto positivo é que o número de regras de acentuação foi reduzido em 30%”, informa. O mesmo ocorreu em relação ao hífen. “Ficou um pouco mais fácil entender o emprego, mas ainda assim o assunto continua complexo”, afirma.

Para o professor, quem domina as regras anteriores à mudança terá mais facilidade de se adequar. “Quem não dominar, e a maioria não domina, vai ter que começar do zero”, destaca. A principal dificuldade é a mudança de hábito. Ele cita a palavra autoescola, que agora não tem mais hífen. Como as pessoas estão acostumadas a ver essa palavra escrita com hífen, é estranho vê-la grafada da nova maneira. “É um processo que leva tempo, pois a mudança de hábito não se dá pelo conhecimento.”

E para quem está pensando em comprar um novo dicionário, Ledur aconselha esperar até a publicação do Vocabulário Oficial da Academia Brasileira de Letras, pois ainda há algumas discordâncias. “No Aurélio e no Houaiss, as palavras formadas com o prefixo sub são grafadas de forma diferente. No Houaiss há o hífen e no Aurélio não há. Pelo acordo, o Aurélio está certo. Assim, subregra e subreino são escritas sem hífen”, ensina. Assimilar as regras e exercitar a grafia das palavras é a dica de Ledur para se adaptar à nova ortografia.

Para Ledur, o maior impacto da reforma ortográfica será sentido pelos alunos do ensino fundamental, que já foram alfabetizados e aprenderam as regras de escrita que não estão mais em vigor. “No ano passado, eles aprenderam a forma antiga e agora vão ter que aprender uma nova regra para a grafia de algumas palavras”, explica.

Já aqueles que começarão a estudar a ortografia a partir deste ano não devem sentir a diferença, já que irão aprender as novas regras. Mas, segundo Ledur, para isso é preciso preparar os professores. “Será que eles estão preparados para esta mudança? Essa é a grande questão antes do início do ano letivo”, aponta Ledur. Ele diz que os docentes precisam passar por treinamento. “Até agora, só vi escolas particulares realizando esses cursos”, conta.

Outro problema ocasionado com o acordo ortográfico será em relação às bibliotecas escolares. Os livros, com a ortografia antiga, podem confundir os estudantes. “O problema é pedagógico, pois eles irão aprender uma coisa em sala de aula e ao pegar um livro haverá palavras escritas de forma diferente. Isso pode confundir”.
 
18 de janeiro de 2009.
Outra indicação bibliográfica
Há vários livros disponíveis nas livrarias sobre o Acordo Ortográfico, desde o ano passado. Um deles é A Nova Ortografia explicada, de Normelio Zanotto, pela Educs.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
19 de janeiro de 2009.
Consulte a Academia!
A Academia Brasileira de Letras possui um serviço de atendimento a questões sobre a língua portuguesa, que tem sido muito útil também com relação ao Novo Acordo. Várias pessoas que conheço e fizeram consultas disseram-se satisfeitas com os resultados. Para ler as instruções a respeito, clique aqui: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=569!
 
22 de janeiro de 2009.
Na mídia, todos os dias
Todos os dias aparecem na mídia notícias e comentários sobre o Novo Acordo. Hoje, no Jornal da Cidade, de Bauru:

Diante da necessidade de estar atualizado para uma melhor prestação de serviço na área do Direito, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo está programando uma série de cursos e palestras para atualizar os advogados paulistas sobre o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, em vigor desde o dia 1º de janeiro. “O advogado tem como obrigação ser o exemplo da modernidade e do cumprimento da Lei”, disse o presidente da OAB subseção de Marília, o advogado Carlos Mattos.

23 de janeiro de 2009.
Notícias da África
Cabo Verde adotará o Acordo Ortográfico no segundo semestre deste ano, mas
com a previsão de que precisará de seis a dez anos para que as regras estejam plenamente assimiladas. Os livros didáticos para o próximo ano letivo já estão assumindo as modificações.

A ministra cabo-verdiana dos Assuntos Parlamentares, Janira Hopffer Almada, disse algo muito sensato com relação a essa etapa de adaptação: “É nosso interesse que as novas normas sejam ministradas no ensino com caráter de tolerância”. Durante essa fase de transição, não será considerada errada a escrita que não siga as novas regras.

Está aí um bom critério para os nossos professores adotarem também!
 
24 de janeiro de 2009.
Ler “para”
No dia 21 de janeiro, na página principal do UOL, duas palavras escritas segundo o Novo Acordo:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
“Estreia” sem acento, tudo bem. Já estamos nos acostumando com a ideia... No caso de “para”, do verbo “parar”, também agora sem acento (antes, escrevia-se “pára”), o leitor pode se confundir. Só o contexto nos ajudará a perceber que não se trata da preposição “para”.
 
25 de janeiro de 2009.
A lista da humildade
Uma forma simples de pôr — algumas pessoas perguntam se o acento diferencial em pôr/por continua valendo, e a resposta é sim —, uma forma de pôr em prática o Novo Acordo é fazer listas e consultá-las com frequência.

Por exemplo, uma lista com as palavras paroxítonas que perderam acento no ditongo aberto “ói”. Não é muito extensa, se levarmos em conta os termos mais conhecidos: heroico, paranoico, asteroide, estoico, apoio (primeira pessoa do singular do verbo “apoiar”), apoia (terceira pessoa do singular do verbo “apoiar”), boia, androide, claraboia, jiboia, joia, tramoia...

No entanto, não custa nada (particularmente para os profissionais do texto, revisores, jornalistas, professores, escritores, etc.), ampliar a lista, abrangendo temas mais específicos. Então, é necessário incluir retinoico (por causa do ácido retinoico), citozoico (micro-organismo que vive no interior da célula), mesozoico (era geológica)...
 
26 de janeiro de 2009.
Notícias de Portugal
Sabemos que os portugueses, em geral, enfrentam dificuldades para adotar o Novo Acordo. Por isso, é com bons olhos que leio a notícia de que o semanário O Despertar, o mais antigo jornal de Coimbra, já está adotando as novas regras.

Na sua primeira edição deste ano, publicada em 9 de janeiro, lia-se a seguinte mensagem:

“Esta é a primeira edição de O Despertar de 2009 e, como tal, entendemos ser uma ótima oportunidade para mudar a nossa e a vossa grafia para o Acordo Ortográfico de 1990 que, no dia 1 de Janeiro, entrou já em vigor no Brasil.”

É de fato um despertar. Embora a palavra “Janeiro” tenha saído com letra inicial maiúscula. Segundo o Acordo, os meses do ano devem ser escritos em minúsculas.
 
28 de janeiro de 2009.
Outro recurso na Rede
O programador carioca Ramon Bispo criou o Ortografa! — http://ramonpage.com/ortografa/ —, um recurso disponível na Rede para nos ajudar a escrever de acordo com o Novo Acordo. Fiz o teste:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
29 de janeiro de 2009.
Acordo pela metade
O jornal O Estado do Paraná está adotando o Acordo Ortográfico pela metade. Na edição de ontem, acerta ao apresentar a palavra “factoides” sem acento, na primeira página. Acerta na página 16, com “Um escritor cujos livros estavam frequentemente na lista dos mais vendidos” e “A ideia principal do Book-Crossing é estimular a movimentação [...]”, mas há desacertos também.
Dois deles. Na página 17: “[...] recebeu os cumprimentos de Ziraldo pela estréia do filme [...]”. Na página 12: “Da mesma forma, somos um pólo de saúde [...]”.
“Polo” não tem mais acento. Antes do Acordo, o acento agudo era usado para diferenciar “pólo(s)” (extremidade) de “pôlo(s)” (falcão ou gavião com menos de um ano) e de “polo(s)” (preposição arcaica).
Agora, escrevemos “polo petroquímico”, “polo magnético”, “polo positivo”, “polo aquático”, “polo norte”, “camisa polo”, etc.
 
30 de janeiro de 2009.
Puro acaso
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O jornal A Cidade, de Ribeirão Preto (SP), ainda não adotou o Novo Acordo Ortográfico. Contudo, na edição de hoje, por puro acaso, acabou acertando. No Caderno C, há uma matéria intitulada “Chega às telas de Ribeirão a nova comédia de Jim Carrey”, e o lide é este: “Em ‘Sim, Senhor’, ator vive homem que muda de vida depois de uma palestra de autoajuda”.
Antes do Acordo, “auto-ajuda”. Agora, sem hífen: “autoajuda”. Sem querer, A Cidade já está seguindo a regra segundo a qual não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.
 
31 de janeiro de 2009.
O Acordo e a geleia
Exija seus direitos! Geleia, agora, é sem acento. É mais doce. É atual!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel PerisséDiário da Nova Ortografia, de Gabriel PerisséDiário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
1 de fevereiro de 2009.
Banco do Brasil “compra” a ideia
Este informativo publicitário do Banco do Brasil traz um bom argumento para que todos adotemos o Novo Acordo o mais rápido possível.
À medida que mais instituições e pessoas escrevam segundo as novas regras ortográficas, com maior facilidade assimilaremos a ideia. O Novo Acordo está em vigor no Brasil faz um mês. E ainda há gente esperando o carnaval chegar...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
3 de fevereiro de 2009.
Londrina está de Acordo
A Folha de Londrina preparou-se bem para o Novo Acordo. Na sua primeira página de hoje, teve o cuidado de escrever “autoatendimentos”, sem hífen. Contudo, na mesma primeira página, na última linha, lemos “Século IX”, em que a letra maiúscula “S” não faz sentido, a menos que se trate de uma norma interna do jornal.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé


5 de fevereiro de 2009.
Editoras se adaptam ao novo Acordo Ortográfico
Reproduzo matéria do DCI, do dia 3 de fevereiro:
BRASÍLIA - Com a entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico entre os oito países de língua portuguesa no início deste mês, as pequenas editoras brasileiras passam por um processo de adaptação às atuais regras. O processo inclui a reedição de livros dos antigos catálogos com as modificações. O prazo para implementação do Acordo vai até dezembro de 2012.
A LGE Editora, do Distrito Federal, começou a adotar as transformações ortográficas em seus títulos. Antônio Carlos Navarro, diretor executivo da LGE, adianta que os dois próximos livros da empresa brasiliense, com lançamento em fevereiro, sairão seguindo o Acordo.
Para Navarro, o principal problema para a LGE será reeditar os livros antigos com as atuais regras. “Isso significará um trabalho enorme e custos, mas o prazo, até 2012, é razoável”, comenta. Segundo Antônio a adaptação deve ser imediata para quem produz livros didáticos e de referências, como dicionários, para atender a demandas como as das escolas.
Antônio Carlos acredita que a adaptação ao Novo Acordo Ortográfico não deve ser muito rápida e que haverá dificuldades tanto para quem atua no setor, como escritores e editores, como para os próprios leitores. “Agora é que começaram a surgir novos dicionários seguindo o Acordo. Nossos revisores estão preparados para trabalhar com as mudanças, porém é necessária uma consonância com os autores”, afirma.
Araíde Sanches, gerente de produção da Editora Escuta, em São Paulo, diz que os três primeiros lançamentos da empresa, dois livros e uma revista, em março, sairão já com as novas regras ortográficas. A Escuta publica edições principalmente nas áreas de Psicanálise, Psicologia e Psiquiatria.
A gerente diz que a adaptação dos lançamentos acontecerá sem grandes problemas, embora os revisores ainda tenham algumas dúvidas. “Eles esbarram principalmente na acentuação, como na queda dos acentos diferenciais”, revela.
Para Araíde a Editora Escuta terá mais problema com as reedições. “Neste caso, a transformação dos livros antigos para as novas regras vai exigir uma grande despesa e gasto de tempo. Teremos que reformatar os textos ou submetê-los novamente a revisão”, explica.
Daniel Zanette, supervisor da Maneco Editora, de Caxias do Sul (RS), se diz otimista com as mudanças na ortografia. A Maneco, especializada em literatura brasileira, infantil, infanto-juvenil e em administração, tem cinco livros no prelo, com lançamento agendado para a primeira quinzena de fevereiro. Todos sairão atendendo às normas do Acordo.
O supervisor conta que a editora de Caxias do Sul contrata revisores terceirizados e que estabeleceu até o fim de 2008 para que esses profissionais se adequassem às novas regras. Zanette diz que como a Maneco fornece material para escolas, havia urgência na adaptação ao Novo Acordo Ortográfico. “Somos muito cobrados em relação a isso”, revela.
Na visão de Daniel, as mudanças não trarão problemas, nem mesmo para a reedição de livros antigos. A empresa possui um catálogo de 180 títulos. “O brasileiro tem a cultura de reaproveitar livros. Acho que as mudanças vão permitir um aumento no consumo”, acredita.
Embora diga que o Novo Acordo foi importante, Zanette pensa que ele poderia ter sido mais ousado. “Ficaram muitas diferenças entre os países em normas como as de acentuação. Se era para mudar, acho que tinham que ter ido além”, afirma.
 
6 de fevereiro de 2009.
Matão (SP) em Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Hoje, oficinas com os professores da cidade de Matão (SP). Uma primeira parte, teórica, e uma segunda mais lúdica, jogos rápidos para fixar as principais regras. No caso dos professores, a preocupação adicional de aprenderem para ensinar.
 
8 de fevereiro de 2009.
Polêmicas hifenísticas e o Dr. Benvindo
O ponto mais polêmico do Acordo é o hífen. Hoje, no Estado de S. Paulo, o gramático Evanildo Bechara faz algumas considerações sobre o comportamento de "bem" prefixado.

No final das contas, "bem-vindo" ou "benvindo"? "Bem-feito" ou "benfeito"?

Segundo o texto do Acordo (cf. Base XV, 4º), o certo seria "benfeito": o advérbio "bem" aglutina-se com um segundo elemento que não começa por vogal ou h. Também "benvindo".

Evanildo Bechara conclui — "benfeito" é homófono de "bem-feito", mas são palavras com significados distintos "que o bom-senso e a fidelidade à intenção comunicativa mandam distinguir graficamente". "Bem-feito", adjetivo, teria a ver com o que é elegante, feito com esmero. Ao passo que o substantivo "benfeito" estaria ligado à ação de fazer o bem.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
No caso de "bem-vindo" e "benvindo", o primeiro é adjetivo, aquele que é
bem-aceito num grupo, numa comunidade. O segundo é nome próprio, "Benvindo", como no caso de Dr. Benvindo de Salles, uma das maiores autoridades no Brasil em orquídeas!
 
9 de fevereiro de 2009.
Notícias de Minas
Início do ano letivo, podemos medir a preocupação pedagógica das escolas e professores pela atenção ao Novo Acordo. A notícia que vem de Minas é esta:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Uberaba, 07/02/2009.

Iniciar o ano escolar sempre assusta os pequenos. Geralmente a volta às aulas é sempre cheia de novidades. Nas escolas particulares, as mudanças já começaram a mexer na rotina não só dos professores, mas também dos alunos.

Entre tantas mudanças corriqueiras no início do ano letivo, a maior novidade para este ano está no novo acordo ortográfico. Para os professores de português, a preocupação com as novas regras é grande, mas eles acreditam que não será difícil para os estudantes se adaptarem a elas.

De acordo com a diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação, Nilza Pinheiro, o ano letivo nas escolas públicas de Uberaba começou em torno do novo acordo ortográfico. Ela disse que apesar do acordo já estar em vigor, as antigas regras ainda estarão valendo, principalmente para os alunos já alfabetizados. "Estas mudanças ocorrerão gradativamente, mas os alunos que estão iniciando a alfabetização agora já conhecerão o novo acordo", disse ela.

Nas livrarias, ainda há livros nas regras antigas, já que as editoras têm até o ano de 2012 para atualização dos mesmos, mas dicionários e livros de regras já chegaram atualizados para facilitar a vida de pais, professores e alunos.
 
10 de fevereiro de 2009.
Recordar é aprender
Quem se lembra com detalhes da reforma ortográfica de 1971, que entrou em vigor em 18 de dezembro daquele ano? Foi instituída pela Lei nº 5.765. Abolia o trema nos hiatos átonos (como em "saüdade", que na prática já estava esquecido), os acentos diferenciais (com poucas exceções) e o acento grave em palavras como "cafèzinho" e "sòmente".
Causou algumas dificuldades de adaptação para pessoas habituadas ao sistema anterior. Eu tinha 9 anos de idade. Assimilei as mudanças rapidamente... pelo menos imagino que sim.
Na época, a revista Veja aderiu às novas regras com diligência. Na sua edição nº 175, de 12 de janeiro de 1972, a palavra "cor", antes acentuada com circunflexo, aparece na capa.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
Notícias de Cabo Verde
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Uma bela entrevista do ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga, ao Diário de Notícias, de Lisboa.
Especificamente sobre o Acordo Ortográfico nesse país, anuncia que será implementado até fins de junho, trabalhando com um período de transição de seis anos. O ministro Manuel Veiga é linguista.
 
12 de fevereiro de 2009.
Ops!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A Folha de S.Paulo tem se esmerado para seguir as regras do Novo Acordo. Mas, como sempre diz minha mãe, a perfeição só no Céu. Hoje, na primeira página do suplemento Equilíbrio, lemos "bóia" com acento.

 

Comentário avulso
Ontem, conversando com uma pessoa sobre o Acordo Ortográfico. E então descobrimos que o mais difícil, para não poucos, será perceber o que NÃO mudou? "Também" continua acentuada? "Você" virou "voce"?

Levemos em conta as lacunas em nosso conhecimento ortográfico. Para entender o novo é preciso ter intimidade com o antigo.
 
13 de fevereiro de 2009.
Reforma ortográfica pessoal
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
É preciso que cada um passe por uma pequena reforma ortográfica pessoal. Ontem, revisei um texto meu e percebi que não é tão fácil assim detectar as necessárias mudanças. E lendo um livro (por sinal muito bom) do Prof. Yves de La Taille, Formação ética: do tédio ao respeito de si, pela Artmed (2009), notei que a editora esforçou-se por adotar as novas regras.
Nem sempre conseguiu.
Lá estão "frequente", "veem-se", "europeia", perfeito... Mas, em alguns momentos, deslizes inexplicáveis, causados, talvez, por um espírito de hipercorreção. Querendo tanto acertar, autor e/ou revisores inventaram um "belprazer" (pág. 58) sem hífen, escreveram "bençãos" (pág. 65) sem circunflexo... Há outros exemplos.
E de repente deixaram a peteca cair, com um "idéias" (pág. 55) acentuado.
 
14 de fevereiro de 2009.
Mais uma indicação bibliográfica
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Cresce o número de pessoas cientes de que o Novo Acordo Ortográfico existe. Existe e exige mais atenção, estudo, prática. Nas livrarias, vários títulos que podem nos ajudar.
Um deles, recente, é este, pela Editora Ibpex, do Paraná.
De acordo com o Acordo — um título bem escolhido.
 
15 de fevereiro de 2009.
Notícias do Acre
Para os acrianos, o Novo Acordo traz uma dificuldade adicional. Antes, era permitido escrever "acriano" ou "acreano". Os dicionários registravam as duas possibilidades, com o abono do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Agora, ficou acertado que se escrevem com i, e não com e, antes da sílaba tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos -iano e -iense (cf. Base V).
 
16 de fevereiro de 2009.
A ateia caiu na teia
Conversando como quem não quer nada, sobre temas variados, de repente ouço a palavra "ateia", sem acento, como mandam as novas regras. Assim é. Já estou na teia do Acordo.
 
17 de fevereiro de 2009.
Acordo nos pés
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Atenta ao Acordo (e associando sua imagem à modernidade), a Azaleia retirou o acento agudo de sua marca de calçados femininos.
As novas regras permitem que as empresas mantenham a grafia original de suas marcas (cf. Base XXI), mas é sinal de sintonia (até mesmo um gesto pedagógico) adaptar-se.
Antes: Azaléia.

Agora: Azaleia.
 
18 de fevereiro de 2009.
A cartilha que Marabraz fez
Sinal dos tempos. Uma cadeia de lojas populares, a Marabraz, lançou e tem distribuído gratuitamente uma Cartilha de Mudanças na Língua Portuguesa. É bastante simples, e por isso mesmo tem sua utilidade, pensando-se no vasto público que atinge.

Dedica as sete páginas iniciais ao trema, aos acentos, ao hífen... e nas outras sete faz sua propaganda: mesas, cadeiras, estação de trabalho, estantes. Afinal, não é por amor a Alá que o gato caça ratos, como diz um provérbio árabe.

Não sei se a Marabraz realmente faz o menor preço, mas devemos aplaudir a iniciativa de divulgar o Novo Acordo.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
20 de fevereiro de 2009
O Acordo decola ou não?
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A TAM distribui gratuitamente entre seus passageiros o primeira chamada, em princípio sintonizado com o Novo Acordo.

Na primeira página desse informativo, ontem, lemos a palavra “estreia” sem acento. Positivo! Mas também o substantivo “dia-a-dia” hifenizado. O certo agora é “dia a dia” sem hifens, seja substantivo, seja locução adverbial (cf. Dicionário escolar da língua portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, 2ª ed., São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008).

A publicação acerta em “frequência”, “infraestrutura” e outras palavras, muito bem! Mas na página 15, por exemplo, deixa escapar “platéia” com acento.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
É o caso de alguém perguntar: o Acordo decola ou não?

 

21 de fevereiro de 2009.
A nova oltoglafia em quadlinhos
O Cebolinha, com a ajuda de uma fonoaudióloga, corrigiu seus problemas de dicção. Hoje, o Cebola, a Mônica e seus amigos trabalham em estilo mangá numa série para adolescentes.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé A turma do Mauricio de Sousa levou a sério as regras do Novo Acordo e está se esforçando para acertar. Desde o primeiro número de 2009 (janeiro): "voo", "asteroides", "ideia"... contribuindo para a fixação visual da nova ortografia.

Mas escorregou em "dia-a-dia" (agora sempre sem hifens), na carta de despedida do cartunista, ao mesmo tempo em que faz corretamente o "para" e o "minirrobôs".
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
E uma curiosidade: a palavra "véio" (amigo), gíria entre os adolescentes, também deve perder o acento, confundindo-se com "veio" (filão).
 
22 de fevereiro de 2009.
Furo!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Perfeição... só no céu!", diz a minha mãe. A Folha de S.Paulo de hoje demonstrou que o Acordo, embora altere a grafia de apenas cinco palavras entre mil, é mais traiçoeiro do que parece.
No título do texto assinado por Eliane Cantanhêde (na prestigiosa página 2!), "constroi" em lugar de "constrói", e "destroi" em lugar de "destrói". Quem disse que este acento caiu nas palavras oxítonas? No último parágrafo, outro "destroi".
Claro, não é o fim do mundo. Apenas um furo!
 
23 de fevereiro de 2009.
Sai um café com leite!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Ontem, no Estado de S.Paulo, novo artigo de Evanildo Bechara sobre questões ligadas ao Novo Acordo.

Dessa vez, o problema das palavras compostas. O caso de "café com leite", por exemplo.

Era certo, até 2008, escrever "café-com-leite" para designar (1) a cor semelhante ao bege da mistura de café com leite, e (2) a política entre São Paulo (produtor de café) e Minas Gerais (produtor de laticínios) no início do século XX, pela qual paulistas e mineiros se alternavam na presidência do país.

Uma coisa era escrever "gosto de café com leite", e outra, "café-com-leite é cor neutra" ou "fale-me sobre a política café-com-leite". Agora não há mais hifens.

A propósito dessa questão de hifens, uma revisora escreveu-me:

"Estou revisando um pequeno manual e apareceu 'café da manhã', assim, sem hifens. O correto, anteriormente, era com hifens, não é mesmo? Segundo o Novo Acordo, na Base XV, item 6º, nas locuções de qualquer tipo não será empregado o hífen, salvo em alguns casos consagrados pelo uso. E aí? Eu não usaria em 'café da manhã', e você?"

Alguns dicionários, antes do Acordo, registravam "café-da-manhã", mas a maioria das referências trazia a forma sem hifens. As duas possibilidades eram defensáveis. A partir de agora, sempre sem hifens.
 
24 de fevereiro de 2009.
Notícias de Portugal
O Acordo foi aprovado pelo governo de Portugal, mas ainda falta implementá-lo. As definições são pouco definitivas... Há resistências, hesitações. Esta reportagem foi publicada no dia 22 de fevereiro, no Correio da Manhã:

Educação: Acordo ortográfico nas escolas no próximo ano

Os professores estão apreensivos e expectantes quanto à inexistência de uma data concreta para a aplicação nas escolas do Acordo Ortográfico em vigor desde o início do ano. Segundo Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, as intenções dos ministérios da Cultura e da Educação, em aplicar o novo acordo dentro de alguns meses, são precipitadas se não existir primeiro uma formação específica para os professores.

"Parece-me que se está a começar, mais uma vez, pelo fim. Dizem que se quer experimentar o novo Acordo Ortográfico já no próximo ano lectivo, mas não basta dizer que vai haver umas escolas-piloto. Tem de haver uma formação para que o processo decorra dentro da normalidade", afirmou Mário Nogueira ao CM, sublinhando que até agora os professores não foram ouvidos: "O que sabemos é pelos jornais. Quando se introduz alguma coisa nova numa escola, a primeira coisa que se deve fazer é consultar os professores. Pois são eles que preparam os programas."

Estando tudo por definir, o secretário-geral da Fenprof apela ao Governo para que trate do assunto com ponderação, de forma a existir um período de adaptação: "Não pode ser tudo feito à última da hora, como é costume fazer-se em Portugal, especialmente na Educação, onde são as escolas que tentam descobrir uma forma de responder ao problema."

António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura, estabeleceu recentemente um prazo de quatro meses para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico. Além disso, sugeriu que os professores devem introduzir as novas regras de uma forma progressiva.

"Os professores vão precisar de formação específica, pois sempre foram preparados para uma determinada forma de escrever e agora deparam-se para um novo Acordo", ressalvou o secretário-geral da Fenprof, acrescentando que as ferramentas informáticas, por si só, não são suficientes para o processo de aprendizagem.

No Brasil, as escolas já estão a preparar a aplicação do novo Acordo Ortográfico, disponibilizando aos professores acções de formação sobre as novas regras.

(André Pereira)
 
26 de fevereiro de 2009.
Oficinas sobre o Acordo Ortográfico: avanços e ranços
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Hoje, dia 26 de fevereiro e amanhã, dia 27, em duas cidades no interior de São Paulo: Américo Brasiliense e Palmital, respectivamente. Vou ministrar oficinas sobre o Acordo Ortográfico para professores desses municípios.
 
sábado, 28 de fevereiro de 2009.
Notícias de Fortaleza
A mídia contribui para a assimilação do Acordo Ortográfico adotando as novas regras com a máxima rapidez e, sobretudo, com a máxima coerência.

A partir de amanhã, 1º de março, as empresas do Grupo de Comunicação O POVO, de Fortaleza (CE), passarão a implantar as mudanças ortográficas previstas. Trecho do texto oficial:

“Todos os profissionais das Redações do O POVO, da rádio O POVO/CBN, da TV O POVO, do O POVO Online e da Fundação Demócrito Rocha passaram por um curso sobre as mudanças implantadas com a reforma ortográfica.

“O treinamento foi ministrado pelo professor de português Myrson Lima, autor do material didático entregue a todos os participantes. O editor-chefe-executivo da Redação do O POVO, Erick Guimarães, diz que a iniciativa do Grupo merece destaque, já que o Brasil tem até o ano de 2013 para se adaptar às mudanças. Mas dois meses depois de o acordo começar a valer, o Grupo de Comunicação O POVO já o toma como referência.

“‘É importante o jornal se antecipar. É um processo de mudança cultural, mas o jornal cumpre sua função educativa quando implanta logo as mudanças’, afirma Erick. Para o reitor da UniOPOVO, Sérgio Falcão, instituição que promoveu e organizou o curso, a escolha do professor foi fundamental neste processo. ‘O professor Myrson Lima é uma referência nacional no ensino de português e a adoção da nova ortografia pelo Grupo é o grande diferencial das empresas que se preocupam com o aprofundamento dessas mudanças’, ressaltou Sérgio Falcão. Para ele, o treinamento não foi uma mera aula, mas evoluiu pelo nível de discussão proporcionado a partir do debate entre jornalistas e professor.

“De acordo com o professor Myrson Lima, a adoção da nova ortografia pelo Grupo de Comunicação O POVO reforça o trabalho social do jornalismo com a educação. ‘O jornal tem um papel educativo muito forte. Quando ele adota o acordo ortográfico, o leitor passa a se familiarizar. É uma forma de educar’, afirma o professor. Ele acrescenta que, a partir disso, os meios se tornam mais globalizados, já que um leitor de outro país que fale português passa a entender melhor o conteúdo. Myrson Lima destaca as vantagens de O POVO Online também passar a adotar a nova ortografia, já que a linguagem do portal é mais dinâmica. ‘Para o desempenho do jornalismo, o acordo é um instrumento de simplificação. Facilita um pouco a grafia de algumas palavras, como, por exemplo, a diminuição de tanto hífen’, cita. Para ele, ainda há muita desinformação quanto ao acordo e bastante resistência também.”
 
segunda-feira, 2 de março de 2009.
Hífen
Ontem, em seu artigo no Estado de S.Paulo, Evanildo Bechara afirma (e o que ele afirma, no âmbito da ortografia, hoje, no Brasil, é lei) que não se emprega mais o hífen com o advérbio "não" com função prefixal: não agressão, não alinhado, não combatente, não violência, não ficção, não participação, não fumante, não beligerante...

Todos estão cientes desta novidade? No jornal O Globo já li algumas vezes "não-ficção", e é assim também, com hífen, na lista dos mais vendidos da Revista Veja. No próprio Estadão, em 30 de janeiro deste ano, um dos títulos do caderno de notícias internacionais era: "Coreia do Norte anula acordo de não-agressão com Seul", acertando o "Coreia", mas errando no hífen de "não-agressão".
 
terça-feira, 3 de março de 2009.
Brasil e(m) Portugal
O Acordo tem múltiplas consequências. Uma delas é que, apesar dos pesares, das incompreensões, dos preconceitos ainda existentes (alguns portugueses, mais radicais, dizem que no Brasil nós falamos o "pretuguês"...), apesar de tudo, essas discussões trouxeram à tona o fato/facto incontestável: assim como Portugal sobrevive no brasileiro, o brasileiro também se encontra em Portugal...

Esta reportagem é bem ilustrativa.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
quarta-feira, 4 de março de 2009.
Resumão
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O Novo Acordo ganhou no mês passado a primeira edição de um resumão, a cargo do Prof. Odilon Soares Leme, autor de vários livros, entre os quais um especialmente importante — Colocação Pronominal, publicado pela Editora Manole.
O resumão não é puro resumo, não! Há comentários interessantes e pertinentes, alguns deles alertando para a necessidade de esperarmos o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, a sair nesta semana!
 
sexta-feira, 6 de março de 2009.
Presente de aniversário
Acabo de saber que o lançamento do tão esperado Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras foi adiado mais uma vez! E para o dia 25 de março. Vai ver escolheram essa data porque é o meu aniversário. Já sei que presente eu vou ganhar!

 

sábado, 7 de março de 2009.
Dúvidas pequenas e grandes
Uma pessoa me pergunta: "O certo é auto controle ou auto-controle??"

O certo é "autocontrole", antes e depois do Acordo. Mas a pergunta mostra que às vezes perdemos o controle e já não sabemos o que mudou ou deixou de mudar.

São dúvidas grandes ou pequenas, não importa. Outra pessoa me perguntou como classificar as letras que foram agora incorporadas ao alfabeto português: K, W e Y.

Essas novas (mas antigas!) letras deverão ser classificadas em vogais ou consoantes conforme a pronúncia. O K será sempre consoante, pois sempre é pronunciado como o C antes de A, O, U, e como o dígrafo QU antes de E e I. Já o Y será vogal (ou semivogal), porque normalmente é pronunciado como I.

A letra W é mais versátil. Pode ser vogal ou consoante. Será vogal ou semivogal em "show", "Windows", "whisky", "Wikipédia"... Ou consoante, em "wittgensteiniano", "Volkswagen"...

Há quem afirme que devemos chamá-los ainda de empréstimos linguísticos, mas acredito que o Acordo lhes deu plena cidadania.
 
domingo, 8 de março de 2009.
Colisão ortográfica
O asteroide passou raspando, mas a colisão ortográfica aconteceu na última edição da revista IstoÉ.

Por mais que todos estejam sabendo... o perigoso objeto com acento não foi detectado por três vezes no espaço da revista.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O pessoal da Veja (07 de março) também dormiu no ponto: "Asteróide gigante perto da Terra". O jornal Zero Hora (03 de março) acertou: "Asteroide passou de raspão pela Terra".
 
terça-feira, 10 de março de 2009.
O inimigo número 1 do Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O poeta, ensaísta e tradutor português Vasco Graça Moura é o inimigo número 1 do Acordo.

Um dos principais signatários do Manisfesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico, considera que Portugal não deve implementar as novas regras, e cita com frequência uma declaração de Pasquale Cipro Neto: "Não ficarei surpreso de Portugal não o colocar em prática. Aliás, sonho com isso. Seria maravilhoso se isso ocorresse".

Seria o fim do Acordo. No Brasil, ficariam incorporadas algumas mudanças que nos aproximam dos portugueses (a supressão do trema, particularmente), mas persistiriam diferenças que, na visão do ilustre escritor, são intocáveis.
 
quarta-feira, 11 de março de 2009.
Notícias do Rio de Janeiro
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Se eu, hoje um carioca apaulistado, ainda morasse no Rio de Janeiro, não perderia a oportunidade. Teve início ontem, dia 10, na Academia Brasileira de Letras, o 1º Ciclo de Conferências de 2009 (no Teatro Raimundo Magalhães Jr., na Av. Presidente Wilson, 203 - 1º andar), com o tema "O Acordo Ortográfico".
A palestra inaugural coube ao acadêmico Domício Proença Filho (foto acima) sobre "A história da ortografia e a ABL". Daqui a uma semana, no dia 17 de março, outra palestra, ministrada por um dos "pais" da criança, Evanildo Bechara, que falará sobre "O novo Acordo Ortográfico e a elaboração do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa".
A entrada é franca. E, francamente, acontecimento imperdível.
 
quinta-feira, 12 de março de 2009.
Notícias de Aracaju
Outra boa iniciativa. A Secretaria de Estado da Educação de Sergipe promoverá amanhã de manhã, sexta-feira, dia 13, o seminário Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com a professora Helena Tiyoko Andrade Vieira. O público-alvo são coordenadores e supervisores do Programa Alfa e Beto.
Notícias de Salvador
Recebo e repasso.

Hoje, dia 12, nas Faculdades Integradas Olga Mettig, palestra sobre "O Acordo Ortográfico – Dúvidas e Definições". Entrada franca. O palestrante é o professor José Nilton Carvalho Pereira, membro do Conselho Estadual de Educação da Bahia. Horário: 18h30. Local: Rua da Mangueira, 33, Nazaré.

É bom conhecer, participar dessas iniciativas, divulgá-las. Porque existem resistências e incompreensões ainda. E o Acordo tem suas falhas, provavelmente precisará de algum aperfeiçoamento.

sexta-feira, 13 de março de 2009.
Acordar melhor
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O Acordo merece um acordar melhor — é essa a tese de um manifesto lançado no dia 11 de março.

É importante conhecê-los melhor (o Acordo e esse movimento que pretende fazer perguntas, colocar algumas decisões em xeque), é importante participarmos da discussão.

O movimento é polêmico. Como o Acordo.
 
sábado, 14 de março de 2009.
Saberes ortográficos
Vou ministrar na Universidade Luterana do Brasil, em Carazinho (RS), o curso Reconstruindo Saberes Ortográficos, no dia 28 de março, sábado. Carga horária de 8h. As inscrições estão abertas na Central de Atendimento do campus e no site da Universidade.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
domingo, 15 de março de 2009.
O hífen da discórdia
O filólogo e gramático Evanildo Bechara, no Estado de S.Paulo de hoje, volta a falar a respeito do hífen, o tracinho trapalhão. Sobrou para ele, coitado. Para o hífen. Mas também para o gramático. Sobrou para nós também, lógico.

Bechara admite que o texto do Acordo vacila. Por isso, no Volp (prestes a ser publicado), tentou uma solução que preservasse a autoridade do texto oficial, sem multiplicar os problemas.

Concretamente, "para-quedas" passa a ser grafado sem hífen, "paraquedas", porque o Novo Acordo menciona expressamente esse exemplo, alegando que a noção de composição nessa palavra, "em certa medida", já se perdeu. Ninguém mais percebe que o paraquedas detém a queda do paraquedista...

O Acordo não cita a palavra "para-choque", uma vez que, provavelmente, ainda percebemos os choques a amortecer... O hífen aqui continuará firme e forte; o Volp assim o registrará. E "para-lama" também com hífen. Detalhe: os Paralamas do Sucesso nunca se preocuparam com isso.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
terça-feira, 17 de março de 2009.
Novo Guia
Precisamos de guias para os novos caminhos ortográficos. Não são tão complexos, mas exigem atenção. Tropeçar é fácil. O Museu da Língua Portuguesa começará a distribuir hoje, terça-feira, o Guia da Reforma Ortográfica.
O guia foi elaborado em parceria com a FMU, que o divulga em seu site.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Os responsáveis são os professores Adalto Moraes de Souza e Carlos Vismara, com a supervisão do professor Ataliba T. de Castilho, consultor do Museu da Língua Portuguesa.
 
19 de março de 2009.
A história do hífen
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O hífen é o pesadelo, o pomo da discórdia, a besta do apocalipse! É a pedra no caminho, a pedra de escândalo, o fim da picada.

Seria interessante alguém fazer a história do hífen, comparando-a com a história do apóstrofo, do til ou do ponto de interrogação. Certamente há coisas mais urgentes na vida, mas é como dizia Ortega y Gasset: o ser humano não quer apenas sobreviver, quer viver. E a nossa existência tem milhões de coisas assim, que parecem supérfluas, pura perda de tempo.

Vejam, por exemplo, as coleções. Há os que colecionam selos, moedas, cartões telefônicos, cartões postais, canetas, cardápios, conchas, gravuras, gibis, caixas de fósforos, camisetas, chaveiros, girafinhas e outros animais em miniatura — pinguins, corujinhas, burrinhos, rinocerontes, hipopótamos, elefantes, dinossauros... Para que, meu Deus, tantas coleções inúteis, enquanto morrem de fome milhares de crianças neste mundo?

E há quem colecione hifens, e até se preocupe em ter dúvidas sobre eles!

Ontem, uma pessoa me enviou a seguinte pergunta: "Trabalho em uma empresa de brinquedos educativos e gostaria de saber sobre o uso do hífen na palavra quebra-cabeça."

Aliás, quer melhor quebra-cabeça do que o próprio hífen? Sim, o tracinho trapalhão continuará na palavra "quebra-cabeça".

Uma curiosidade. O hífen também se chama traço-de-união, ou melhor, traço de união, sem hifens a partir de agora, segundo o Acordo.

Outra curiosidade. Poucos sabem que o hífen tem um irmão, o seu perfeito contrário, o antífen [#], sinal empregado pelos revisores para indicar a necessidade de separar palavras que se encontram justapostas.
 
20 de março de 2009.
Fato/facto consumado... ou não?
O jornal português Correio da Manhã anunciou que dará início à adaptação do jornal ao novo Acordo Ortográfico. Paulatinamente. Nem todos os textos serão escritos pelas novas regras: "A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectivamente primeira página e manchete, quando já ninguém estranhar a palavra 'facto' escrita sem cê", declarou Octávio Ribeiro, diretor/director do jornal.

A resistência é grande em Portugal, como se o Acordo fosse imposição brasileira sobre aquele país. Num fórum em que se discute a Nova Ortografia, um internauta português fez a seguinte comparação: "É como se o inglês falado na Índia se sobrepusesse ao inglês falado na Grã-Bretanha, só porque os falantes são muito mais numerosos no país asiático do que no europeu."

O ouvido lusitano dói, se eu escrevo: "Cristo, de fato, morreu na cruz." Numa lógica linear, presa à letra, Cristo vestiu um terno e morreu crucificado. Perfeito. Mas também alguém poderia alegar que "terno", roupa, confunde-se com o adjetivo referente a sentimentos afetuosos. O contexto nos ajuda a descobrir em que sentido a palavra polissêmica está sendo empregada.

O fato é que o Acordo foi ratificado por Portugal. É fato consumado. Ou não?
 
21 de março de 2009.
Enfim, o Volp

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Enfim, chegou às livrarias o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa em sua 5ª edição. O Vocabulário do Novo Acordo.

Mas a polêmica não termina aqui. Esta empreitada foi brasileira, o que fortalece, na opinião pública portuguesa, a impressão de que estamos nós querendo capitanear tudo, "governar a implantação do Acordo", como disse em entrevista o professor José Luiz Fiorin (hoje, na Folha de S.Paulo).

São 878 páginas, 349.737 vocábulos, e cerca de 1.500 estrangeirismos. Um livro para ficar folheando, degustando, aprendendo, fazendo descobertas.

Como já se fez ver, a palavra "coerdeiro" aparece assim, sem hífen e sem "h", embora no texto oficial do Acordo seja citada a forma "co-herdeiro". O Vocabulário corrige o Acordo, baseando-se no consagrado "coabitar". Manter "co-herdeiro" obrigaria Bechara e sua equipe, em nome da coerência, a registrar, com hífen, "co-habitar".

Termo do jargão linguístico, "co-hipônimo" (por exemplo, cão e gato são co-hipônimos em relação ao hiperônimo mamífero) não é mencionado no Volp. Mas, seguindo o raciocínio anterior, perde o hífen. Será a partir de agora "coipônimo".

Já "coomologia", que na 4ª edição do Volp era "co-homologia" (termo da topologia algébrica... campo de estudo que não é para qualquer um), aparece também sem hífen.

Um caso estranho. Quem for acusado ou condenado pela participação com outra pessoa num mesmo delito será "corréu", e não mais "co-réu".
 
22 de março de 2009.
Duas interrogações
No artigo que escreveu ontem para a Folha de S.Paulo, a professora Thaís Nicoleti de Camargo observa que no Volp a palavra "subumano" aparece seguida de "dois intrigantes pontos de interrogação".

Fui verificar. E, de fato, lá estão. Qual será a dúvida da equipe que preparou o Vocabulário? E por que não há pontos de interrogação depois de "subumanidade"? O Volp também registra "sub-humano" e "sub-humanidade". Estão permitidas, portanto, ambas as formas, com hífen e sem hífen.

A explicação que Evanildo Bechara já deu em algumas entrevistas é que os dicionários sempre tiveram posições diferentes diante das duas possibilidades. O Aurélio só acolhe "subumano", ao passo que o Houaiss registra "subumano" e "sub-humano". A 4ª edição do Volp traz as duas formas. A decisão foi aceitar o peso da tradição (talvez "subumano" tenha vingado por causa de "inumano" e "desumano", sem "h") e adotar a dupla grafia. Se Portugal fará o mesmo, continuamos sem saber, e talvez por isso as duas interrogações.

O Acordo recomenda que se use o hífen nas formações com o prefixo "sub" em que o segundo elemento comece por "h", e cita explicitamente o adjetivo "sub-hepático" (situado debaixo do fígado). No entanto, além desta grafia hifenizada, o Volp traz "subepático" (sem interrogações).
 
segunda-feira, 23 de março de 2009.
Eu zoo no zoo
Eu chamo de "lista da humildade" um recurso muito simples, que o Volp vai ajudar a concretizar. Trata-se de fazer uma lista de palavras alteradas pelas regras do Novo Acordo.

Por exemplo, fazer a lista de palavras em que o hiato "oo" não é mais acentuado: enjoo, voo, sobrevoo, coroo, apregoo, perdoo, coo, amontoo, algodoo, moo, abotoo, abençoo, amaldiçoo, povoo, soo, arpoo, revoo, magoo, aperfeiçoo, acolchoo, afeiçoo, atabalhoo, leiloo, entoo, enxampoo, escoo, heroo, eoo, atroo, ressoo...

Eu "zôo", do verbo "zoar", e o substantivo "zôo" (redução de "jardim zoológico") perdem o circunflexo. O livro de literatura infantil Zôo, de Fabrício Corsaletti e Mariana Zanetti (Editora Hebra, 2005), será Zoo.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel PerisséDiário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé

 
24 de março de 2009.
Põe hífen... tira hífen...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Vaga-lume", por exemplo, antes, era escrito assim e também sem hífen: "vagalume". As duas possibilidades estavam autorizadas pela 4ª edição do Vocabulário Ortográfico. Nesta atual 5ª edição, somente a forma hifenizada é permitida.

A 4ª edição nos ensinava que o certo era escrever o verbo "sotopor" sem hífen, e o adjetivo "sotoposto" (ô) também sem hífen. A 5ª edição agora registra a grafia "soto-pôr", sistematizando o hífen em todos os vocábulos iniciados pelo prefixo "soto-". Mas "sotoposto", o particípio passado do verbo, ficará sem o "tracinho trapalhão", bem como as formas conjugadas "sotopus", "sotopuseste", etc.

Por vezes, porém, nem o Volp nos ajudará. O Dicionário Houaiss traz a palavra "super-alma", conceito transcendentalista na filosofia de Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Talvez o hífen tenha aparecido por influência do título em inglês, The Over-Soul, que com hífen o autor escreveu.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Mas este uso contraria a regra segundo a qual só empregamos o hífen com o prefixo "super-" quando o segundo elemento começa por "h" ou "r".

Na 4ª e na 5ª edições do Volp não aparece este vocábulo. Continuará sendo uma exceção? Ou se tornará "superalma", sem hífen, ao lado de "superaltar", palavra que não consta do Houaiss?
 
25 de março de 2009.
Acreano ou acriano?
Um acriano, queixando-se de que o Volp não mais autoriza a grafia "acreano", e registra apenas a forma com sufixo "-iano", desabafou num fórum virtual: "Estou me sentindo mutilado. Sou e serei sempre acreano com muito orgulho."

A 4ª edição do Vocabulário admitia as duas possibilidades: "acreano" e "acriano". A 5ª edição consagra "acriano" como única opção. A justificativa para descartar o "e" e entronizar o "i" é que o nome de origem, "Acre", termina em "e" átono. Por isso quem nasce em Açores é açoriano (o "e" é átono), mas quem nasce na Coréia do Sul (o "e" é tônico) é sul-coreano. Era uma tendência que veio se firmando ao longo do século XX e agora é consagrada pelo Novo Acordo.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé Evanildo Bechara tem recebido do Acre dezenas de protestos. Os acrianos querem ser acreanos. Bechara responde: "Vejo no movimento pela manutenção do 'acreano' uma devoção ao nome. Os árabes dizem: dar nomes às coisas é sinal de possuí-las. Então eu vejo o movimento sentimental dos acrianos com alegria, porque vejo o respeito pela forma escrita. Como filólogo, repito, isso me causa muita alegria. Mas como técnico da língua, vejo em 'acreano' com 'e' um erro de história da língua. Quer dizer, nós estamos defendendo 'acreano' em nome da história do Estado, mas contrariando a história da língua. O que há é a história da língua, que é universal, contra a história dos acrianos, que é digna de respeito e admiração, mas é muito pontual."

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé O poeta Glauco Mattoso põe lenha na fogueira: "Si eu fosse acreano, jamais acceitaria graphar 'acriano', da mesma forma como um alagoano não ia gostar de escrever 'alaguano'."
 
26 de março de 2009.
(H)erva (h)úmida
No livro Em redor de Africa. Narrativa succinta de factos verdadeiros e de impressoes colhidas em flagrante, ornada com trinta e quatro reproduccoes photographicas (Porto: Typographia da Empreza Litteraria e Typographica, 1915), da autoria do escritor português Eduardo de Noronha (1859-1948), encontramos deliciosa passagem, em que se descrevem as dificuldades de deslocamento na floresta (troncos, ramos, cactos), dificuldades mil que barravam...

"a entrada dos agressores hábeis em se arrastar, silenciosos como reptis, pela herva húmida ou pelas estevas resequidas."

As palavras "herva" e "húmido(a)" tendem a perder o "h" segundo o Novo Acordo. No Brasil, já escrevíamos "erva úmida", mas esta mudança é agressiva aos olhos, mais do que aos ouvidos portugueses. O "h" não altera em nada a pronúncia dessas duas palavras.

A discussão entra no campo da etimologia. Deixemos "erva" de lado por enquanto e nos concentremos no problema da "humidade".

O étimo mais correto é "umidus" ou "humidus"? Há registros de "humido" e "humydo" (século XIV), e de "humedo" (século XV), mas já a partir do século XVI encontram-se também textos com a palavra sem "h".

Na tradição de línguas que adotaram a variante latina com "h", conhecemos humid (inglês), humide (francês) e húmedo (espanhol). Mas a outra variante, sem "h", gerou umido (italiano), umed (romeno) e o nosso "úmido", no Brasil.

Se o Acordo pretende unificar a ortografia da língua portuguesa, a divergência entre o "húmido" de Portugal e o "úmido" brasileiro pedia uma solução. Não há divergências na maioria das palavras iniciadas com "h": "hoje", "hora", "homem", "humor"... Mas era preciso propor algo com relação à "(h)umidade".

A palavra em questão não é mencionada explicitamente pelo Acordo ("erva" é, e lá se estabelece a eliminação do "h" de "herva"). A Base II, dedicada à letra "h" inicial ou final, diz que o "h" será suprimido no início de palavras quando, "apesar da etimologia", esta supressão estiver inteiramente consagrada pelo uso.

Ora, no caso de "úmido", esta grafia está consagrada pelo uso... no Brasil. Mas também está consagrada pelo uso em Portugal a grafia "húmido". O Volp registra apenas "úmido", "umidade" e "umedecer". Talvez, na prática, os portugueses continuem com "húmido", "humidade" e "humedecer", alegando a favor dessa dupla grafia (e outras duplas grafias há) o mesmíssimo argumento da tradição.

Uma polêmica que não ocorreu, e lembra um pouco esta, é o uso do verbo "registrar" no Brasil, ao passo que em Portugal usa-se "registar". O Volp mantém as duas possibilidades, sem traumas. Voltaremos a esse tema um dia. Por ora, fica apenas o registo, ou o registro...

E é nessas horas que percebemos com mais clareza a necessidade de cumprirmos nova etapa na implantação do Acordo. A criação do Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, com a participação de todos os países da comunidade lusófona.
 
sexta-feira, 27 de março de 2009.
Espírito "revisador"
Amanhã comemora-se o Dia do Revisor. Em 2001, escrevi um texto a respeito.

O Novo Acordo Ortográfico trouxe trabalho para os revisores. Mas todos podemos e devemos cultivar um pouco desse espírito "revisador". Ler e reler nossos textos, em busca das falhas e deslizes. E, nesses tempos de transição ortográfica, ficar atentos ao que mudou... ou não mudou.

Meus parabéns aos revisores! E a todos os que revisam (e se revisam) todos os dias!

 

domingo, 29 de março de 2009.
Jornal educador
Estive ontem, dia 28, em Carazinho (RS), ministrando curso sobre o Novo Acordo Ortográfico na Universidade Luterana do Brasil. E, como quem ensina sempre aprende, descobri que o jornal gaúcho Correio do Povo tomou uma decisão editorial muito interessante.

Em várias de suas páginas, quando surge alguma palavra com nova grafia em virtude do Acordo, ou mesmo quando não é o caso, mas se tem a chance de ensinar, a palavra é destacada e, num boxe, explica-se o porquê de tal grafia.

No exemplo abaixo, a palavra destacada foi "microempreendedores". A explicação no boxe é que o prefixo "micro" somente levará hífen diante de palavras iniciadas por "o" ou "h", como em "micro-ônibus", "micro-ondas" (antes do Acordo, o certo era "microônibus", "microondas", sem hífen), "micro-hidráulico", "micro-história".
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
31 de março de 2009.
Reflexões sobre o Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Não se trata de decorar regras, mas entender a fundo o espírito do Acordo... mesmo que haja tantos desacordos.

Um livro que pode ajudar, nesse sentido, foi escrito por Francisco Álvaro Gomes. O título não poderia ser mais simples e direto: O acordo ortográfico. Publicado pelas Edições Flumen e pela Porto Editora, em 2008.

Uma particularidade é que traz a visão de um gramático e escritor português, criticando vários aspectos do Novo Acordo, sem recair no catastrofismo de considerá-lo o fim do mundo, e o fim da língua portuguesa.
 
quarta-feira, 1 de abril de 2009.
Encontro ortográfico
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Precisamos ler, mas também conversar sobre o Novo Acordo. Uma ótima oportunidade será o encontro ortográfico no dia 8 de abril, com os professores Luiz Costa e João Jonas Veiga Sobral, na Livraria Cultura (Shopping Villa-Lobos, em São Paulo).

Uma palestra-debate de duas horas sobre as novas regras e o modo como vêm sendo apreendidas. Começará às 19h30.

Luiz Costa é jornalista, editor da Revista Língua Portuguesa e doutorando em Educação pela USP. João Jonas é professor da Escola Móbile, do Colégio Rio Branco e das Oficinas Pedagógicas da Editora Segmento.
 
sexta-feira, 3 de abril de 2009.
— Água!
Uma professora comentou neste blog que foi surpreendida outro dia por um aluno seu, da 7ª série. O garoto já sabia da polêmica do "acriano" x "acreano", e ela... nada!

Outro caso. Num curso que ministrei sobre o Acordo, para professores de uma cidade do interior de São Paulo, pedi à plateia que enumerasse em voz alta algumas palavras que perderam o trema. Um disse: "linguiça"! Alguém no fundão continuou: "sequestro"! E de repente uma voz mais à frente: "água"!
(Essa resposta lembrou-me o tempo em que eu jogava Batalha Naval...)
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A realidade é que nem todos os professores estão preparados para ensinar as novas regras. E por isso é necessário parabenizar toda e qualquer iniciativa que contribua para melhorar essa situação.

Por exemplo, fiquei sabendo que no final de março, em Araçatuba (SP), os professores de toda a rede municipal assistiram a palestras sobre o tema. Os eventos ocorreram no auditório do Centro Universitário UniToledo, e o palestrante foi o escritor Hélio Consolaro, atual secretário municipal de Cultura, entusiasta da leitura e da literatura naquela região, que conheci pessoalmente em 2004, numa sessão da Academia Araçatubense de Letras.
 
domingo, 5 de abril de 2009.
Fiéis ao Acordo
Vez ou outra a Folha de S.Paulo é infiel ao Acordo. E nesta fase de transição, pequenas infidelidades podem atrasar o processo de assimilação por parte dos leitores.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A palavra "fiéis" continua acentuada. Provavelmente quem escreveu o título desta matéria (publicada ontem, dia 4) confundiu-se, pensando que o ditongo aberto "ei" deveria perder o acento, como acontece em "ideia", "ureia", etc.
O curioso é que na legenda da foto lemos "fiéis", palavra oxítona, o que a exclui da regra que alterou as paroxítonas citadas acima. Em letras maiores, "fieis" sem acento rouba a cena...
 
segunda-feira, 6 de abril de 2009.
Dona Jiboia
Saiu no
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé

mas aqui não transcrevo, porque o texto da matéria está escrito de maneira muito sofrível... Vale, no entanto, indicar a reportagem, pela iniciativa de divulgar o livro em questão.
A matéria está aqui: Acordo Ortográfico é motivo de lançamento de livro.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Refere-se ao livro Dona Jiboia e a alcateia. Na apresentação, a escritora Júlia Fernandes Heimann explica que uma palestra ministrada por um professor de língua portuguesa sobre o Novo Acordo estimulou-a a pesquisar o assunto.
Neste livro, as histórias e os personagens conduzem ao conhecimento das novas regras. O livro custa R$ 5,00 e em breve estará à venda nas livrarias.
 
terça-feira, 7 de abril de 2009.
Notícias (desencontradas) de Portugal
Às vezes sinto receio de que o Brasil fique falando sozinho sobre o Novo Acordo Ortográfico. Terá sido acordo de um só signatário? Leio no jornal Mundo Português, cuja edição virtual foi atualizada hoje:

Acordo Ortográfico: Ministérios não se entendem sobre entrada em vigor

O ministério da Cultura fala em maio mas o da Educação diz que não entrará em vigor antes de ano e meio. O novo acordo ortográfico tem dado que falar em Portugal e ninguém parece entender-se.

Como anunciámos na edição passada a data de 5 de maio era apontada como uma possibilidade para a entrada em vigor do novo acordo ortográfico. Isto apesar do Ministério da Educação já ter deixado a garantia de que o Acordo Ortográfico, mesmo depois de estar inicialmente prevista para o ano letivo de 2009/2010, não entrará em vigor, em Portugal, antes de ano e meio.

No Parlamento, o secretário de Estado adjunto e da Educação já fez saber que não existe um calendário previsto para a introdução das novas regras. Jorge Pedreira frisou que vai existir um período de transição que as escolas vão usar. Entretanto, os professores estão apreensivos e expectantes quanto à inexistência de uma data concreta para a aplicação nas escolas do Acordo Ortográfico em vigor desde o início do ano. Refira-se que no Brasil, as escolas já estão a preparar a aplicação do novo Acordo Ortográfico, disponibilizando aos professores ações de formação sobre as novas regras.

O Novo Acordo implica a mudança em 1,6 por cento dos vocábulos portugueses mas a verdade é que as dúvidas têm surgido de dia para dia. No Brasil as novas regras já estão a ser adotadas de forma voluntária em alguns sítios, embora a obrigatoriedade só aconteça em 2012, sendo que até lá as duas ortografias serão aceites. Em Portugal 2014 é a meta para a uniformização gráfica da língua.
 
quarta-feira, 8 de abril de 2009.
A quem afeta o Acordo?
Os analfabetos desconhecem o Acordo.

Os recém-alfabetizados amanhecem para o Acordo.

Os semialfabetizados nem desconfiam que eram "semi-alfabetizados" antes do Acordo.

Os analfabetos funcionais não veem função alguma no Acordo.

Os alfabetizados vão, pouco a pouco, descobrindo o Acordo.

Os alfabetizados escolarizados estudam e divulgam o Acordo.

Os superalfabetizados já começam a sonhar com um novo Acordo...

 

quinta-feira, 9 de abril de 2009.
Nos bastidores do Acordo...
Com todo o respeito ao presidente Lula, que melhorou sua performance linguística ao longo dos últimos 10 anos, não resisti à tentação de trazer esta charge para o blog:
 

sábado, 11 de abril de 2009.
Esmiuçando o Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A fixação visual da grafia das palavras é a maneira mais simples e eficaz de apreender e incorporar as mudanças definidas pelo Novo Acordo. No entanto, neste período de transição, nem tudo o que reluz é ouro...
No caso do verbo "esmiuçar", há quem escreva "esmiúça" com acento, e quem, acreditando seguir as novas regras, escreva "esmiuça" sem acento.
Exemplos não faltam para este segundo caso:
- "[...] entra no MySpace, esmiuça princípios econômicos [...]." (Zero Hora, 11/04/2009)
- "O Buchico+Guia esmiuça a programação e mostra [...]." (O Povo, 03/04/2009)
- "Amparado na história da educação e da cultura, o livro esmiuça as formas [...]." (Folha de S.Paulo, 05/04/2009)
- "Site esmiuça a construção de verbetes da Wikipédia." (Folha de S.Paulo, 25/02/2009)
Curiosamente, a Folha de S.Paulo se contradiz, e traz "esmiúça" com acento em outros momentos:
- "Mostra na Pinacoteca esmiúça relação do modernista [...]." (Folha de S.Paulo, 04/04/2009)
- "DVD esmiúça efeitos e bastidores de Hulk." (Folha de S.Paulo, 24/02/2009)
Conforme a Base X do Acordo, cai o acento agudo nas vogais tônicas grafadas "i" e "u" das palavras paroxítonas, quando precedidas de ditongo. Por exemplo, "feiura".
Não é o que ocorre com "esmiúça". Portanto, o certo é "eu esmiúço", "tu esmiúças", "ele esmiúça", "eles esmiúçam", "que eu esmiúce"... que todos esmiucemos o Acordo.
Ou então deveríamos escrever "viuva" sem acento também!
Corretíssmo este trecho da revista ComCiência (n. 107 - abril de 2009): "[...] incansável na explicação de suas ideias e que esmiúça os assuntos [...]".
 
domingo, 12 de abril de 2009.
Cada um com seus problemas...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Para que o Acordo dê certo é fundamental que todos os falantes da língua portuguesa conheçam os problemas próprios e alheios. O que incomoda os brasileiros não incomoda os portugueses. E o contrário também é verdade.

O chargista português Antero Valério nos faz perceber que o fim do acento circunflexo em "dêem", "crêem" e "vêem" (agora "deem", "creem" e "veem") provoca perplexidade entre os lusitanos, alterando, ao que parece, a pronúncia desses verbos.

Não é problema nosso... mas é. Enquanto só olharmos para as "dificuldades brasileiras" em aprender as novas regras ortográficas, o Acordo poderá ser apenas um pretexto para a desunião...
 
segunda-feira, 13 de abril de 2009.
Dupla grafia
Um dos jeitinhos do Acordo (afinal, o Acordo não é dinamarquês!) consiste no expediente da dupla grafia. Palavras que podem ser escritas de dois modos, lá e cá, ao gosto do freguês e ao sabor do "sotaque" de cada um (aliás, o sotaque é sempre o do outro...).

Podemos escrever "característica" ou "caraterística", "céptico" ou "cético", "conjectura" ou "conjetura", "aspecto" ou "aspeto", "corrupto" ou "corruto"...

Parece estranho ao olhar e ao ouvido, mas pelo menos ficarão tranquilos os que temiam perder alguma coisa, particularmente os portugueses no que diz respeito a "facto", que poderá ser escrito assim (a Base IV do Acordo prevê e permite) ou "fato".
 
terça-feira, 14 de abril de 2009.
O futuro do Acordo
Uma importante característica do Acordo a lembrar é que afeta um idioma euro-afro-americano-asiático-oceânico! Diz respeito a uma comunidade linguística geograficamente dispersa, o que pode ser bom ou mau.

Dispersão pode ser vista como fragmentação (coisa má) ou expansão (coisa boa). Aliás, foi graças ao movimento expansionista de Portugal, em outros tempos, que se fala a língua portuguesa em pontos tão distantes entre si, a exemplo do que aconteceu com o inglês e o espanhol.

O futuro do Acordo, sua realização melhor possível, dependerá ainda de muitos acertos. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa publicado há pouco não é, a rigor, da língua portuguesa, mas da língua portuguesa do ponto de vista brasileiro à luz do Novo Acordo.

Um exemplo. A unidade monetária de Angola é "cuanza", "kuanza" ou "kwanza"? O Volp nada diz porque não é de sua alçada resolver esse trilema, embora o Houaiss registre as três possibilidades. Mas tem mais. O nome do maior rio angolano, que foi adotado para designar a moeda desse país, além daquelas três grafias pode ser escrito também "Quanza" e "Coanza".

A julgar pelas imagens abaixo, "kwanza" é o nome oficial para a unidade monetária de Angola... mas esse é o típico problema que cabe aos angolanos resolverem numa discussão interna ao país e, num segundo momento, no âmbito da comunidade lusófona.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
 
quinta-feira, 16 de abril de 2009.
O Acordo no Rio de Janeiro
Ontem, dia 15 de abril, no Rio de Janeiro, ocasião para folhear os jornais da cidade em que nasci. Usei como pedra de toque, entre outras, a palavra "Coreia".

Jornal do Brasil:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A propósito, desde o dia 7 de fevereiro, o Jornal do Brasil, que inicialmente não deu muita importância ao Acordo Ortográfico, passou a adotar as novas regras.

Embora com atraso, fez o certo, acompanhando a tendência dos grandes jornais. Compreende-se que os pequenos ainda hesitem, mas é inconcebível que um meio de comunicação tão tradicional e importante como o JB se mantivesse à margem.
O Globo:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé


E O Dia, infelizmente, acerta e erra na mesma pequena notícia:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
sexta-feira, 17 de abril de 2009.
Pasquale e o Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Tenho acompanhado as declarações de Pasquale Cipro Neto sobre o Novo Acordo Ortográfico.

Na Folha de S.Paulo de ontem, por exemplo, no artigo "Diário da reforma ortográfica", Pasquale refere-se à "imposição" da reforma (que reforma propriamente não chega a ser), e, de modo radical, afirma que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, lançado há pouco, "atropelou" o já previsto vocabulário comum, do qual deverão participar todos os países da comunidade lusófona.

Não deixa de ter razão o ilustre professor. Mas é preocupante sentir Pasquale torcendo para que Portugal não implemente o Acordo, o que inibiria a adesão plena dos demais países, sobretudo os africanos, e nos conduziria talvez à estranha situação de um acordo com um só signatário: o Brasil.

Torcer contra não é a melhor atitude. O Volp, na realidade, pode servir como primeiro passo para o vocabulário comum que, pelo andar da carruagem, virá à luz apenas em 2012, ou em 2014, ou depois.

Podemos "discordar com" (inusitada formulação que ouvi outro dia na rua, vox populi...), ou seja, podemos fazer críticas mas ao mesmo tempo trabalhar ao lado, colaborar para que o Acordo, apesar de suas falhas, não termine em águas de bacalhau...
 
sábado, 18 de abril de 2009.
Jornal e educação
Surpresa agradável, hoje, em Poços de Caldas (MG), onde estive para ministrar uma palestra. O jornal Mantiqueira, da região, aderiu ao Novo Acordo Ortográfico e fez parceria com a Secretaria de Educação da cidade:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
domingo, 19 de abril de 2009.
Labirinto ortográfico
Com a imagem de um labirinto na capa publicou-se, neste mês, o número especial da revista Língua Portuguesa sobre o Novo Acordo Ortográfico (Editora Segmento). Muito útil para professores e estudantes, jornalistas, escritores e escreventes em geral. Já incluí entre as minhas referências de consulta.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
segunda-feira, 20 de abril de 2009.
A Folha Universal concorda com o Acordo
A Folha Universal, semanário da igreja do bispo Edir Macedo (tiragem com mais de dois milhões de exemplares!), aderiu ao Novo Acordo Ortográfico sem maiores problemas, o que contribui para fixar as novas regras entre leitores do país inteiro.

Aliás, afora o aspecto linguístico, vale a pena ler a publicação para analisar como funciona um meio de comunicação a serviço de uma causa religiosa... ou empresarial, não sei ao certo.

Uma das ideias de fundo é mostrar os problemas pessoais e coletivos, as tragédias, as desgraças como sinal da ausência de Deus na vida social. Logo, o jornal ajuda a pregação e o proselitismo. Quem me deu um exemplar gratuitamente foi uma senhora abnegada, missionária do bispo, ontem, em pleno domingo.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
terça-feira, 21 de abril de 2009.
Mäd hortográphico
A capa do mais recente número da revista Mad brasileira me obriga a comprá-la. As brincadeiras com a rephorma hortográfica não poupam ninguém. O presidente Lula aparece dizendo que "nunca na história deste país a gente aprendemos tão bem a falar na iscola". Pasquale Cipro Neto torna-se Pasquase. O jogador de futebol Ronaldo também é envolvido. O trânsito, o aeroporto, a política... tudo e todos são atingidos.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
quarta-feira, 22 de abril de 2009.
Surpresa ortográfica
Estudar as novas regras ortográficas traz surpresas. E surpresa não tem aviso-prévio!

Pois é. É isso mesmo. Uma dessas surpresas atingiu a locução que fecha o parágrafo acima, antes sem hífen, agora hifenizada.
 
sexta-feira, 24 de abril de 2009.
Boas notícias de Portugal e inspiração para mais iniciativas brasileiras
Curso de formação no Novo Acordo Ortográfico, em Lisboa, por Prof. Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia.

Público-alvo: Todas as pessoas que, por questões profissionais, possam ter responsabilidades linguísticas acrescidas, como sejam elementos de estruturas editoriais (editores, assistentes, coordenadores), profissionais da tradução e da revisão, jornalistas, professores…

No decorrer da ação, poderá ser contemplada a presença de "convidados" em algumas das sessões, tendo em conta a clarificação que a experiência profissional/linguística destes poderá trazer para as temáticas abordadas.

Objetivos gerais:
1. Dar a conhecer aos formandos, de forma sucinta, o essencial das reformas ortográficas levadas a cabo a partir de 1911 e durante todo o século xx;
2. Dotar os formandos de conhecimentos que lhes permitam diferenciar a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 do Novo Acordo de 1990;
3. Levar os formandos a apreenderem as modificações e alterações trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico de 1990.

Objetivos específicos:
1. Desenvolver competências linguísticas, de modo a exercitar a prática na Nova Ortografia;
2. Explorar a nova grafia das palavras conforme o Acordo Ortográfico de 1990;
3. Aplicar exercícios diversificados, com o intuito de exercitar as novas mudanças na grafia das palavras;
4. Analisar documentos e textos tendo em vista a prática da Nova Ortografia.

Programa da ação:
1. Breve notícia histórica sobre as reformas ortográficas da Língua Portuguesa de 1911 a 1990.
2. Atualidade e pertinência do Novo Acordo Ortográfico de 1990.
3. Características gerais do mesmo Acordo.
4. Novo Alfabeto da Língua Portuguesa.
5. Uso de maiúsculas e minúsculas.
6. Supressão gráfica de consoantes mudas ou não articuladas.
7. Mudanças na acentuação gráfica.
8. Alterações relativas à hifenização.
9. Ocorrência de duplas grafias.
10. Características específicas da Nova Ortografia, segundo a norma culta luso-afro-asiática.
11. Características específicas da Nova Ortografia, segundo a norma culta brasileira.
12. Sinopse final.

Duração: 18 horas lectivas.
N.º de sessões: 6.
Datas: 28 e 30 de abril, 5, 7, 12 e 14 de maio de 2009.
Horário:18h30-21h30.
Propina: 225,00 €

Para se inscrever, por favor envie CV (com a referência: Acordo Ortográfico) para: formacao@booktailors.com.

A formação decorrerá no Bookoffice ‒ Rua Nova do Almada, n.º 59, 3.º, Lisboa.
 
segunda-feira, 27 de abril de 2009.
Portugal em busca da decisão
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O Acordo Ortográfico entrará em vigor seguramente este ano", declarou o ministro da Cultura de Portugal, José Pinto Ribeiro. E acrescentou:

"Estamos a identificar todas as tarefas, dado que, uma vez em vigor, haverá um prazo de aplicação e adaptação de vários anos [...]. Estamos a fazer um programa para tudo o que há a fazer até lá, ao nível do ensino, dos meios de comunicação social, dos livros, para que tudo seja feito sem rupturas, com grande tranquilidade e com grande liberdade e integração de toda a gente." (Correio da Manhã, 26 de abril de 2009)

Rupturas haverá, independentemente do planejamento. Continuará havendo resistências, sr. ministro! Na busca de uma decisão que viabilize o Novo Acordo em Portugal (decisão vital para que ele se viabilize em toda a comunidade lusófona), só esta declaração já incomodará a muitas pessoas naquele país.
 
quarta-feira, 29 de abril de 2009.
Notícias de Goiás
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Estudar é preciso. A UEG (Universidade Estadual de Goiás) e a Secretaria de Ciência e Tecnologia organizaram curso sobre as novas regras ortográficas, ministrado pelo prof. Sérgio Nogueira. O curso (duração de 4 horas) será realizado hoje, dia 29, às 19h, no auditório do Sesc Cidadania, em Goiânia.
Vale a pena! Mais informações pelo telefone (62) 3095-8156.
 
quinta-feira, 30 de abril de 2009.
Uma pergunta incômoda
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Só uma. Por que a Academia Brasileira de Letras ainda não atualizou a versão digital do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa?

A possibilidade de consultar o Volp pelo site é fundamental para acelerar a difusão das novas regras. O que temos lá é a 4ª edição. Esperamos... solicitamos... reivindicamos que a 5ª edição esteja disponível quanto antes!
 
sexta-feira, 1 de maio de 2009.
Notícias da Galiza
Resistências em Portugal... adesão crescente (mas às vezes precária) no Brasil... hesitações em países africanos... mas a Galiza, comunidade autônoma da Espanha, quer adotar o Acordo Ortográfico!

A Academia Galega da Língua Portuguesa está solicitando o ingresso da Galiza na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Num segundo momento, se prevalecer a corrente linguística segundo a qual a língua galega está mais próxima do português do que do espanhol, será adotado o Acordo por aquelas terras.

Eis algumas manchetes de jornais de hoje, na Galiza...

A CUT e a CGT, a prol dunha folga xeral

Elévanse a tres os casos sospeitosos de gripe nova en Galicia

Desinteresse do Estado e da Junta adiam a recepçom das televisons portuguesas
 
sábado, 2 de maio de 2009.
O Vocabulário da Língua Portuguesa... em Portugal
O ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro, em recente entrevista, referiu-se à necessidade de que seja feito naquelas terras o que nós fizemos por cá: um novo vocabulário de língua portuguesa.

Nosso Volp não dá conta de certas palavras tipicamente lusitanas, estejam elas ou não alteradas pelas novas regras ortográficas. Este segundo Volp, por exemplo, se preocupará com a expressão "pequeno-almoço", que não se utiliza no Brasil.

Um atualizado vocabulário português, digamos assim, e o vocabulário organizado pela Academia Brasileira de Letras, que português não deixa de ser, constituirão a base para um futuro Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, com as contribuições de todos os outros países da comunidade lusófona.
 
domingo, 3 de maio de 2009.
Ortografia no micro-ondas
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Antes do Acordo, "microondas" escrevia-se sem hífen. Agora, escreve-se "micro-ondas". Diz a nova regra que assim é e será porque o prefixo "micro" termina com a vogal "o", a mesma vogal com que se inicia o segundo elemento dessa junção, "ondas".

Difícil encontrar esse novo micro-ondas. Uma rápida visita a algumas lojas virtuais demonstra que este eletrodoméstico não está "se esquentando" com a nova ortografia...
 
segunda-feira, 4 de maio de 2009.
Um jornal que ensina
O Jornal Hoje, de Cascavel (PR), presta um serviço ortográfico aos seus leitores. Vez por outra, destaca uma palavra do texto e explica a sua grafia. Iniciativas como esta ajudam o leitor a fixar as novas regras com mais facilidade... quase sem querer.

Abaixo, exemplo colhido da edição do sábado passado.


Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
terça-feira, 5 de maio de 2009.
Notícias de Campos dos Goytacazes
Será ministrado hoje, na cidade fluminense de Campos, o Curso Prático sobre o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa, fruto de uma parceria entre a Secretaria de Educação do município e a Editora Saraiva. O evento acontecerá no auditório da Universidade Estácio de Sá, às 14h30, com a professora e escritora Eliana Garcia de Albuquerque. Duas horas e meia de duração.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A secretária de Educação de Campos, Auxiliadora Freitas, declarou em entrevista que o curso dá continuidade a um projeto de formação mais intensa dos professores, com o objetivo de elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do município: "É importante que nossos professores estejam bastante afiados com a nova ortografia."
 
quarta-feira, 6 de maio de 2009.
Antes tarde do que nunca
A Agência Brasil passou a adotar as novas regras do Acordo Ortográfico a partir de ontem, dia 5 de maio. Antes tarde do que nunca...
 
quinta-feira, 7 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O acordo, do jeito que foi feito, vai demandar outra reforma em breve." (Deonísio da Silva, escritor)
 
sexta-feira, 8 de maio de 2009.
Ortografia na Idade Mídia
Leandro Ferreira, aluno de Pedagogia do Centro Universitário de Votuporanga (Unifev), em São Paulo, criou um site sobre as novas regras ortográficas. Bela iniciativa!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
domingo, 10 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Lamento esse Acordo não ter sido total e irrestrito. Temos ainda os casos abomináveis de 'dupla grafia' e de 'acentuação dupla'. A unificação devia ser total, nem que algumas decisões tivessem que ser tomadas na base do 'par-ou-ímpar'." (Frei Hermínio Bezerra, tradutor da Cúria Geral dos Capuchinhos em Roma)
 
segunda-feira, 11 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Quem sabe, como tantos decretos brasileiros, algumas leis da nova ortografia não 'peguem'?" (Izeti Fragata Torralvo, coordenadora de Língua Portuguesa do Colégio Bandeirantes-SP)
 
terça-feira, 12 de maio de 2009.
New portuguêis
Um pouco "carregada" a charge abaixo, mas é justamente isso o que caracteriza as charges. Carregam, exageram, para denunciar uma realidade que nem sempre enxergamos com clareza.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
quarta-feira, 13 de maio de 2009.
Bolsa Ortografia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O deputado Sandro Mabel (GO), do PR (Partido da República), propôs ontem, na Câmara, que os beneficiários do programa Bolsa Família recebam também um dicionário com a nova ortografia.
 
quinta-feira, 14 de maio de 2009.
Opinião isolada... ou nem tanto
"Este acordo é uma completa estupidez... O nosso português é o original e vão modifica-lo por causa dos brasileiros? Eles que mudem o deles!"

(Anónimo...)
 
sexta-feira, 15 de maio de 2009.
Feira sem Acordo
Em Feira de Santana (BA), a Princesa do Sertão, onde encontro três jornais aqui produzidos.

O Folha do Estado da Bahia, que ainda não adotou as novas regras. Na edição de hoje, leio "garoto seqüestrado", "espetáculo estréia hoje"...

O semanário NoiteDia também não adotou. Em sua edição mais recente: "a idéia é...", "obras de infra-estrutura"...

E o Folha do Norte, igualmente alheio ao Novo Acordo: "a estréia no campeonato", "houve uma assembléia", "alta freqüência"...
 
16 de maio de 2009.
Notícias de Portugal
Primeira página de prestigioso semanário português, que ainda não adotou as novas regras:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Trecho da matéria:

"Quando os alunos do primeiro ano iniciarem as aulas em Setembro vão aprender a ler e escrever o português actual, sem as alterações previstas pelo novo Acordo Ortográfico que o Governo quer em vigor até ao fim do ano. Isto porque professores e editoras de livros escolares não receberam qualquer indicação do Governo para actualizar os programas de acordo com as novas regras linguísticas.

"Porto Editora e Texto Editores (do grupo Leya), que dominam o mercado de manuais escolares, não receberam qualquer indicação do ministério para fazer alterações nos livros escolares. 'O que sabemos por parte do Ministério da Educação, é que na melhor das hipóteses o Acordo Ortográfico poderá ser contemplado no ano lectivo 2010/2011', disse ao Semanário Económico fonte da Porto Editora."

 

domingo, 17 de maio de 2009.
Boas notícias de Portugal e uma notícia brasileira
Demorou... mas agora se tornou possível que o Brasil acerte com Portugal uma agenda para implantar de maneira coordenada as novas regras ortográficas. Na sexta-feira passada, o Parlamento português aprovou finalmente o segundo protocolo modificativo do Acordo, etapa necessária para vencer as resistências que, no entanto, continuarão presentes, sobretudo entre os intelectuais lusitanos.

Da nossa parte, o ministro Fernando Haddad disse em entrevista recente que ordenou à Secretaria de Educação Básica que produza um manual com as medidas do Acordo Ortográfico e instruções para os professores da rede pública em todo o Brasil.
Notícias de Roma e Fortaleza
O tradutor e pesquisador cearense Frei Hermínio Bezerra lançou ontem o livro Acordo Ortográfico da língua portuguesa. Frei Hermínio mora em Roma, atuando como Secretário da Língua Portuguesa na Cúria Geral dos Capuchinhos.

Disse ao Diário do Nordeste, onde tem uma interessante coluna: "Não decidi escrevê-lo simplesmente. Ocorreu que nosso chefe na Cúria decidiu que a instituição iria adotar o Acordo já a partir de janeiro deste ano. Então desde o final de 2007 e durante todo o decorrer de 2008 fui fazendo anotações sobre as novas regras. Finalmente, vi que estava com um volume grande e significativo de material."

Segundo a mesma matéria, a obra traz 253 notas de rodapé e 600 notas inseridas no texto, além de grande número de exemplos para cada uma das 21 Bases do Acordo.

Tenho a informação de que o livro está sendo comercializado em Fortaleza, no Convento dos Capuchinhos e na Praça Portugal (Banca Shopping).
 
segunda-feira, 18 de maio de 2009.
Para que o Acordo não seja mortográfico
A condição fundamental para que o Acordo ortográfico não seja um acordo mortográfico é que todos os falantes e escreventes de língua portuguesa, um por um, adotem as novas regras.

Não é tão difícil, mas também não está sendo tão fácil...
 
terça-feira, 19 de maio de 2009.
Acordo e desacordo na escola
Contaram-me que, em certa cidade do Rio de Janeiro, um aluno de 9 anos aprendeu que a palavra "ideia" não se acentua mais, segundo o novo Acordo Ortográfico. E assim a escreveu em sua redação.

A professora o recriminou, reacentuou a palavra com caneta vermelha, e informou ao infrator que essa novidade só valerá a partir de 2012...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Já na Escola de Educação Básica Padre Nóbrega, em Luzerna (SC), ao contrário, os professores estão empenhados em fazer os alunos compreenderem e adotarem as novas regras desde outubro do ano passado! Incentivaram a pesquisa, valorizaram as descobertas.

Duas atitudes diferentes, duas escolas diferentes... no mesmo país.
 
quarta-feira, 20 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Só na metrópole de São Paulo tem mais falantes de português do que em toda a Europa! Defender o acordo de uniformização ortográfica [...] é exigir que Portugal pare de se arvorar como fonte 'original e pura' de irradiação do português e de decisões internacionais acerca da língua. O português que conta hoje, no mundo, é o nosso. E os portugueses que enfiem sua viola no saco e parem de ter saudades de um império que começou a ruir em 1808, senão antes..." (Marcos Bagno)
 
quinta-feira, 21 de maio de 2009.
Acordo e piada
O cartunista Amorim publica seus trabalhos no Correio do Povo (RS), e um deles é sobre o Acordo:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
sexta-feira, 22 de maio de 2009.
Acordo poético
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Encontro na Livraria Cultura o livro Terceira sede, do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, em nova edição. A primeira foi de 2001. Agora vem à luz novamente, e de acordo com o Acordo, pela Bertrand Brasil:

"Se ela soubesse o desaviso da encruzilhada,
que aceitei uma trilha ao léu, entrei numa rua,
no casamento, pela ideia de seguir o fluxo." (pág. 20)

"Um autorretrato não seria tão fidedigno." (pág. 24)

"Armo o voo porque me espantam com migalhas." (pág. 43)

"Era raro permitir-se joias,
as orelhas desfolhadas como o inverno." (pág. 47)

Mas a questão do hífen não estava clara para o revisor, ou faltou consultar o Volp (se é que na altura da revisão a 5ª edição do Volp já tinha aparecido). "Aviso-prévio" tornou-se expressão hifenizada, mas na página 71 surge assim:

"Desmoronamos no aviso prévio."
 
sábado, 23 de maio de 2009.
Notícias de Maceió
O Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) promoverá um seminário sobre o Novo Acordo Ortográfico nos dias 28 e 29 de maio, na Faculdade de Educação e Comunicação (Fecom).

Os responsáveis pelo evento são os professores Maria Luzimar dos Santos, Manoel Coelho da Cruz e Maria Francisca de Oliveira Santos. A primeira atividade será no dia 29, às 18h30, no auditório da Fecom. No dia seguinte, uma apresentação musical de fado, às 17h30, e exposição de produções literárias dos alunos do curso de Letras do Cesmac.
 
domingo, 24 de maio de 2009.
Troia traída
"Troia" não mais acentuada, segundo as novas regras ortográficas. No entanto, alguns livros publicados em 2009 com esta palavra no título não foram fiéis ao Acordo, como é o caso de:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel PerisséDiário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé A queda de Tróia, de Peter Ackroyd (Record), e Helena de Tróia, de M. George (Geração Editorial).

Já a Planeta do Brasil está atenta à "Troia" sem acento e à "Cesareia", também sem acento, na capa desta reedição:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
segunda-feira, 25 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia... de outros tempos
De outros tempos, mas perfeitamente válido para os dias de hoje, o pensamento do gramático e filólogo carioca Carlos Góes (1881- 1934): "[...] a simplificação ortográfica constitui ideal generoso, aspiração justa, retoque necessário à ação depreciadora do tempo, merece os aplausos de todos os brasileiros inteligentes e amantes do progresso, que acima de um egoísmo passageiro e tolos preconceitos, colocam o interesse mais alto das novas gerações."
 
terça-feira, 26 de maio de 2009.
Acordo na Idade Mídia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A editora Melhoramentos lançou ontem versão paga do dicionário Michaelis adaptada para o iPhone e em sintonia com o Acordo Ortográfico. O aplicativo custa 10 dólares e pode ser encontrado na App Store.
 
quarta-feira, 27 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
"A Academia Brasileira de Letras literalmente nos atropelou com a publicação do seu Vocabulário Ortográfico, cujos responsáveis um dia serão castigados por infligir ao nosso pobre idioma um dano ainda maior que os prejuízos causados por esta reforma infeliz." (Cláudio Moreno)
 
quinta-feira, 28 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Não tenho dependências econômicas nem cumplicidades políticas; a minha única preocupação é com a Língua Portuguesa como idioma dividido por oito países. [...] Há alguma ofensa cultural se passo a escrever elétrico em vez de eléctrico?" (Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta de Lisboa)
 
sexta-feira, 29 de maio de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
"Por enquanto, o Novo Acordo não está sendo cobrado pelas empresas em seus processos seletivos, porque estamos na fase de adaptação. Entretanto, nas profissões em que o uso da escrita é fundamental, como jornalismo, relações públicas, propaganda e marketing, o profissional que souber das novas regras terá um diferencial competitivo." (Jane Souza, consultora de Recursos Humanos do Grupo Soma)
 
sábado, 30 de maio de 2009.
Notícias de São Caetano do Sul
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Fábio Palácio (PR), vereador de São Caetano do Sul (SP), é autor de projeto de lei que prevê a criação da Campanha Permanente de Orientação a Respeito do Novo Acordo Ortográfico, no município. A matéria está em discussão na Câmara Municipal. Se aprovada, será submetida à apreciação do prefeito José Auricchio Jr.

Fábio explica: "A implantação definitiva se dará em janeiro de 2013, mas até lá barreiras precisam ser vencidas para a nova adaptação da escrita formal. O objetivo da campanha é facilitar o acesso às novas regras, distribuindo guias nas repartições municipais e escolas."
 
domingo, 31 de maio de 2009.
Notícias de Campo Grande
A Secretaria de Educação de Mato do Grosso do Sul oferece oficinas sobre o Novo Acordo nos dias 3 e 4 de junho. Local: Faculdade Estácio de Sá. O professor será o Mestre em Educação Gílson Demétrio Ávalos, cujo nome é um exemplo de acentuação!
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
No dia 3 de junho, as oficinas serão ministradas das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30; no dia 4, das 19h às 22h30.
 
segunda-feira, 1 de junho de 2009.
Mais notícias de Campo Grande (MS)
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
No dia 6 de junho, dentro da programação do II Encontro Pedagógico Regional Centro-Oeste - Campo Grande, organizado pelo Sistema Maxi de Ensino, haverá palestra sobre o Novo Acordo, ministrada pelo professor Dílson Catarino.
 
terça-feira, 2 de junho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O Novo Acordo ortográfico não fere, de forma alguma, a identidade linguística do português do Brasil. Há muitos outros fatores que definem a identidade de um país, de uma nação, de um povo e de uma língua. A ortografia é um detalhe e, portanto, não tem uma interferência tão grande." (Maurício Silva, autor de O novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pela Contexto, 2009)
 
quarta-feira, 3 de junho de 2009.
Manual sobre o Novo Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A Universidade Nove de Julho (Uninove) acaba de tornar disponível em seu portal o primeiro volume da Série Palavra Final: "O novo acordo ortográfico sem segredo".

O responsável pela publicação é o meu amigo Prof. Sérgio Simões, mestre em Educação, Linguística, Letras e Artes, coordenador editorial e professor da Uninove.
 
quinta-feira, 4 de junho de 2009.
Dicionário on-line
Já existia, mas agora está atualizado e ampliado. É o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, disponível aqui.
Para testar, fiz uma consulta. Procurei por "pára". E obtive a resposta abaixo, informando que a grafia anterior ao Acordo era "pára", em contraste com a preposição "para". Mas agora perdeu o acento diferencial, como em "paraquedas" e "para-raios":
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
sexta-feira, 5 de junho de 2009.
Notícias do Rio de Janeiro
O curso de extensão O Novo Acordo Ortográfico, promovido pelo Centro Universitário Celso Lisboa, será ministrado amanhã, 6 de junho, das 8h às 12h, na rua 24 de Maio, 797 (Sampaio). Nestas quatro horas de trabalho, a professora Marlene Mansour abordará as 21 bases do Acordo.

A coordenação geral do curso, que poderá ser oferecido em datas futuras, é da responsabilidade do Prof. Bruno Corrêa. Este é o seu e-mail, e seus telefones: (21) 3289-4736 e 3289-4722.
 
domingo, 7 de junho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"A unificação já devia ter ocorrido antes. É uma medida civilizada. A diferença na escrita dos países que falam português atrapalha o intercâmbio econômico e editorial. Como toda reforma, essa proposta tem suas falhas. Mas acho ótimo, por exemplo, o fim do trema. Sou a favor de tudo que vai no sentido da simplificação." (Lya Luft, escritora)
 
segunda-feira, 8 de junho de 2009.
Revisores e o Acordo
Uma interessante matéria no jornal paranaense Gazeta do Povo:

A professora aposentada Valquíria Mollinari, 62 anos, ainda está na ativa. Mas não em sala de aula. Com a implantação do acordo ortográfico da língua portuguesa no início do ano, o mercado de trabalho para os revisores se aqueceu. Ela, que até então fazia trabalhos de revisão como free-lancer para a Editora Positivo, foi contratada pela empresa para essa atividade minuciosa. “Não é um trabalho somente ortográfico. Para nos certificarmos de que está tudo certo é preciso entender o texto e o contexto do que estamos lendo. É necessário fazer a interpretação. Uma vírgula fora do lugar pode comprometer o sentido”, conta.

O dia-a-dia é tradicional, descreve Valquíria, com 8 horas de trabalho por dia, cartão de ponto e escritório. A diferença mais marcante está no silêncio, que predomina durante o expediente para favorecer a concentração e a atenção da equipe, requisitos para o bom desenvolvimento do trabalho.


(A matéria prossegue, mas vale a pena notar que "dia-a-dia" não se escreve mais com hifens. O jornal precisaria de um revisor que atentasse para isso...)
 
terça-feira, 9 de junho de 2009.
Sites e o Acordo
Sites de grandes editoras ainda precisarão de algum tempo até a total adequação às novas regras do Acordo. Um exemplo, entre muitos, o da Editora Objetiva, que traz "infanto-juvenil". O hífen foi abolido. O certo agora é "infantojuvenil".
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
quarta-feira, 10 de junho de 2009.
Estudantes e o Acordo
Uma reportagem interessante:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
quinta-feira, 11 de junho de 2009.
Cordel e o Acordo
Em algumas idas recentes ao Nordeste, procurei produções de literatura de cordel que abordassem o tema do Novo Acordo. Não encontrei. Mas agora, navegando pela internet, fui encontrado, e entrei em contato com Antonio Barreto (poeta, professor e cordelista de Salvador, este é o e-mail e os telefones são 71-9196-4588 e 71-3329-3237), que gentilmente enviou-me o "Novo Acordo Ortográfico em versos de cordel", de sua autoria, publicado pelas Edições Akadicadikum.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Alguns versos para saborearmos, sabendo que melhor ainda é ouvi-los na voz do poeta:

Das regras a mais difícil
Deve ser "hifenizar"!
Não confunda, meu amigo
Com o verbo infernizar!
O HÍFEN é complicado
Portanto esteja ligado:
Agora vou lhe explicar:

Se o prefixo terminar
Por exemplo em vogal
E o segundo elemento
For "r" ou "s" de sal:
Consoante duplicada
Tire o hífen da jogada
E veja como é legal:

Escreva microssistema
Contrarregra, infrassom
Biorritmo, autorretrato
Minissaia, ultrassom
Antessala, antirracismo
Cosseno, neorrealismo
E veja como é tão bom!
 
sexta-feira, 12 de junho de 2009.
Sesc e o Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Gosto da Revista E, do Sesc. O número de junho recebi pelas mãos de meu amigo Ruy Falcão. E reparei, mais uma vez, como é difícil seguir à risca as novas regras ortográficas.

Na página 22, o escorregão: "[...] prosperou um dos maiores pólos de produção cinematográfica do Brasil [...]."

"Pólo"... não. Caiu o acento diferencial. O certo agora é "polo". Antes do Acordo, o acento agudo era usado para diferenciar "pólo(s)" (extremidade) de "pôlo(s)" (falcão ou gavião com menos de um ano) e de "polo(s)" (preposição arcaica). Agora, escrevemos "polo petroquímico", "polo magnético", etc.
 
sábado, 13 de junho de 2009
Novo livro
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Pela editora Impetus, de Niterói (RJ), este novo livro sobre o Novo Acordo. É da autoria de José Pereira da Silva. O título não poderia ser mais simples e óbvio: A nova ortografia da língua portuguesa.

O autor reproduz as regras todas e faz algumas ponderações interessantes. E transcreve (isso eu ainda não vira em outros livros) a ata da sessão da Academia Brasileira de Letras de 11 de julho de 1907, na qual, por exemplo, vemos quem era a favor ou contra o uso do "k": Olavo Bilac era contra, Oliveira Lima era a favor, Machado de Assis era contra, Euclides da Cunha era a favor.
 
segunda-feira, 15 de junho de 2009.
Google e o Acordo
Resultados de busca no Google:

Para a expressão "nova ortografia":
Aproximadamente 357.000 (0,06 segundos).

Para a expressão "acordo ortográfico":
Aproximadamente 1.490.000 (0,18 segundos).

Para a expressão "novo acordo ortográfico":
Aproximadamente 178.000 (0,18 segundos).

Muito? Pouco? A expressão "língua portuguesa" pode criar um termo de comparação:
Aproximadamente 8.540.000 (0,07 segundos).
 
terça-feira, 16 de junho de 2009.
Como dizia Raul...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Já dizia Raul Seixas, "ao meu lado o dicionário cheio de palavras que eu sei que nunca vou usar..."
Serão poucos, por exemplo, a escrever "matraca da quaresma", instrumento litúrgico católico usado apenas duas vezes ao ano, na quinta e na sexta-feira da Semana Santa, em substituição da sineta.
Menos ainda os que saberão que, antes do Acordo, escrevia-se com hifens: "matraca-da-quaresma". Aliás, meu sonho editorial seria fazer um livreto sobre o novo uso do hífen.
 
quarta-feira, 17 de junho de 2009.
Notícias de Goiás
É bom divulgar iniciativas como esta, da Divisão de Desenvolvimento Humano do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, que promove o curso "Acordo Ortográfico de 1990", destinado a desembargadores, assessores e juízes de Goiânia, a realizar-se no próximo dia 29 de junho, das 16 às 18 horas, no auditório da Corte Especial do Tribunal.

O curso será ministrado pela Profª Ângela Jungmann. Os interessados devem confirmar sua participação até o dia 23, pelos números (62) 3216-2706/3216-2196/3216-2253 com Alessandra (pela manhã) ou Flávia (à tarde).
 
quinta-feira, 18 de junho de 2009.
Novo Houaiss

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A editora Objetiva anuncia para este mês o lançamento do Novo Houaiss. Com 2.048 páginas, será o primeiro grande dicionário após a implementação das novas regras ortográficas. Chegará às livrarias no dia 26 de junho. A partir do dia 7 de julho, o seu "filhote", o CD-Rom com versão digital completa.
Já vou reservar o meu exemplar na Livraria Cultura...
 
sexta-feira, 19 de junho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"É bobagem tentar legislar sobre um fenômeno tão complexo como a linguagem. Uma analogia válida seria a de deputados tentando baixar uma lei para regular a taxa de mutação do gene p53. Não vai dar certo. Quer dizer, a reforma poderá até nos levar a escrever as palavras de um geito (sic) diferente, mas isso em nada alterará a essência ou os processos da língua e não chegará nem perto de tornar as muitas variantes do português mais intercompreensíveis." (Flávio Lauria, colunista do Portal Amazônia.com)
 
sábado, 20 de junho de 2009.
Ortografia ou Ortographia?
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A ortografia é lugar de polêmicas. No século XVIII, um verbete do Diccionario da lingua portugueza de Rafael Bluteau (1638-1734) questionava a grafia da própria palavra "ortografia".

Segundo o dicionário (disponível agora na biblioteca virtual que a USP criou graças à fantástica doação de José Mindlin), João de Barros defendia a grafia "ortografia", não obstante a etimologia pedisse "ortographia", com "ph". Baseava-se João de Barros (c.1496-1570), considerado o pioneiro dos estudos gramaticais do idioma luso, num princípio modernizante: "devemos escrever como pronunciamos".
 
quarta-feira, 24 de junho de 2009.
A língua e o Acordo
O site de Cláudio Moreno é excelente. Vale a pena conhecer e divulgar. E nele, uma entrada para discutir o Novo Acordo Ortográfico, duramente atacado pelo professor Moreno mas... afinal, devidamente acolhido como fato consumado.
 
26 de junho de 2009.
Lançamento do Novo Houaiss
A editora Objetiva lançou hoje o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, com 2.048 págs., mais de 440 mil entradas, locuções e acepções, tudo de acordo com o novo Acordo Ortográfico.

Agora, é importante para os trabalhadores do idioma terem o Vocabulário Ortográfico na mão direita, e na esquerda o Houaiss renovado. E que a mão direita saiba o que a esquerda diz.

Divertimento intelectual é comparar palavra por palavra, as entradas de um e de outro. Houaiss tem "encontro-d'água", o Volp também. Mas depois o Volp apresenta "encontro-de-ouro", e não há definição no Houaiss. Haja pesquisa para descobrir que se trata de um pássaro, cujo encontro das asas com o corpo é da cor do ouro...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
27 de junho de 2009.
A guerra dos dicionários
A edição atualizada do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, da editora Positivo, chegará às livrarias somente em setembro. Será a 4ª edição do Aurelião, motivada pela necessidade de atualizar a obra ao VOLP. A exemplo do Novo Houaiss, virá com versão eletrônica em CD-ROM. E o site dedicado aos produtos da "família Aurélio" ajudará na divulgação, além de oferecer dicas sobre o novo Acordo Ortográfico.
 
domingo, 28 de junho de 2009.
Comparar para entender
Comparar as versões eletrônicas do Novo Houaiss. As versões 1.0.5 e 3.0 são bem diferentes. A mais nova é melhor. Mas eu vou manter a antiga instalada no meu computador. Para entender...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
terça-feira, 30 de junho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"A nossa avaliação é de que os signatários do acordo estão certos e que a reforma ortográfica é muito boa para o ensino da língua portuguesa no mundo." (Carlos Alberto Xavier, assessor especial do MEC)
 
quarta-feira, 1 de julho de 2009.
Acordo no metrô
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé O metrô em São Paulo anda menos limpo... e menos cheio. O medo das aglomerações, talvez, no contexto da gripe suína (não tem jeito, "suína" pegou mesmo).

Mas eu ia contar outra coisa. É que comprei de uma daquelas máquinas de livros que integram nossa paisagem subterrânea o Reforma ortográfica da língua portuguesa, da Editora Escala. Por R$ 6,00. Não encontrei o nome do autor. Não se menciona bibliografia.

Porque não se trata de fazer livro de autor, neste caso. A ideia é difundir as novas regras. Só. O que tem seu mérito e justifica esta postagem.
 
sexta-feira, 3 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia... de 2000
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O acordo ortográfico, que causa alguns arrepios em Portugal, é simplesmente ignorado pelos brasileiros, avessos ou indiferentes a qualquer norma." (Leyla Perrone-Moisés, em seu livro Inútil poesia, da Cia. das Letras, pág. 327)
 
sábado, 4 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Eu adotei o acordo para os textos que publico, mas o faço com profundo pesar. Trata-se de uma questão comercial." (Marcelino Freire, escritor)
 
5 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Não me venham com o Acordo Ortográfico em cima da minha palavra." (Ondjaki, escritor angolano)
 
segunda-feira, 6 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Não se pense que o acordo vai se autoaplicar por milagre, sem o empenho profundo dos governos dos Estados lusófonos. E, se não houver esse empenho, a consequência será mais grave: porque então a norma cairá na semiaplicação, o pior limbo em que pode viver uma lei." (Paulo Ferreira da Cunha, professor da Universidade do Porto - Portugal)
 
7 de julho de 2009.
Notícias de Cubatão (SP)
Em Cubatão (SP), na semana de 13 a 17 de julho, será oferecido o Curso Básico em Redação Empresarial, Comunicação Escrita e Revisão Gramatical, aos servidores públicos do município, com especial atenção às novas regras do Acordo Ortográfico. Este curso faz parte do Projeto Profissional Nota Dez. A professora será a mestre em Educação e jornalista Janete Netto Bassalobre.
 
10 de julho de 2009.
Amparo para o Acordo
Estive ontem na cidade de Amparo (SP), onde há pelo menos três jornais.

Gazeta Amparense, distribuída gratuitamente na cidade e adjacências (Tuiuti, Serra Negra, Pedreira...), não adotou as novas regras ortográficas. Ainda. Leio "idéia" e "cara-de-pau", quando o certo, agora, é "ideia" e "cara de pau".

O Jornal Oficial de Amparo, distribuído gratuitamente por ser órgão oficial do município. Também não segue as novas regras — "seqüência" e "mão-de-obra" estão ali. O correto é abolir de vez o trema e, no caso de "mão de obra", abrir mão dos hifens.

Já em A Tribuna, vendido na cidade e seus distritos, leio, de acordo com o Acordo: "Lindoia", "plateia", "microempresas".
 
sábado, 11 de julho de 2009.
Joguinho do Acordo
Encontrei um jogo para aferirmos o nosso conhecimento das novas regras do Acordo Ortográfico. Foi produzido numa parceria entre a FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas), a Retoque Comunicação e o LivroClip. Quem não gosta de um game...?

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
domingo, 12 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Muitas vezes se argumenta que este acordo é necessário porque os nossos países viviam distantes e agora a nova ortografia comum vai aproximar-nos. Acho que isto é uma mentira." (Mia Couto, escritor moçambicano)
 
segunda-feira, 13 de julho de 2009.
Notícias de Cascavel (PR)
Hoje, dia 13 de julho, palestra sobre o Acordo ortográfico na Universidade Corporativa Empresarial, promovida pela Acic — Associação Comercial e Industrial de Cascavel, no Paraná. A palestrante será a professora Tânia Bueno do Prado. Seu objetivo é apresentar as novas regras ortográficas da língua portuguesa e esclarecer eventuais dúvidas.

A palestra destina-se a professores, secretárias, comunicadores, acadêmicos de todas as áreas e demais interessados. O investimento para associados da Acic e estudantes é de R$ 30. Dos demais, cobra-se o valor de R$ 50.

Mais informações pelo endereço eletrônico uniacic@acicvel.com.br
 
terça-feira, 14 de julho de 2009.
Vaticano sem Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O papa Bento XVI acaba de divulgar a sua mais recente encíclica: Caritas in veritate. Há várias traduções disponíveis no site do Vaticano.
A versão em língua portuguesa não obedece ao Acordo ortográfico. Certamente não há nenhum pecado aqui, mas isso demonstra que os responsáveis pelos textos em português estão com outras preocupações orto...doxas.
No texto, "auto-suficiente", e deveria ser "autossuficiente"; "acção" em lugar de "ação"; "exacto" em lugar de "exato"; "baptismo" em lugar de "batismo" e "há-de ser" em lugar de "há de ser".
 
quarta-feira, 15 de julho de 2009.
O Acordo em Rio Negro (PR)
Estive ontem e hoje em Rio Negro (PR), e conheci três jornais que circulam no município.

O Tribuna da Fronteira, que se dirige também aos moradores de Mafra e adjacências (Mafra fica em Santa Catarina, na fronteira com o Paraná), não obedece integralmente às novas regras ortográficas. Embora tenha abolido o trema, não avançou além disso. Leio em suas páginas "pólo", que perdeu o acento diferencial, e "apnéia", que perdeu este acento, a exemplo de "ideia".

Gazeta de Riomafra também fica no meio do caminho. Encontro em suas páginas "ideia", sem acento, mas, num título, "semi-extensivo", e o correto é "semiextensivo".

Diário de Riomafra está no bom caminho: "ideia", "infraestrutura", "frequente", como manda o VOLP.
 
quinta-feira, 16 de julho de 2009.
Para entender o que é para entender...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Mais um livro sobre a nova ortografia. Trata-se de Para entender o novo acordo ortográfico, de Lucíola Medeiros Brasil, pela Wak Editora. Já está na segunda edição. Mas, pelo visto, não foi devidamente atualizado num ou noutro ponto.

A autora ensina (pág. 84) que "tão-somente" e "tão-só" são escritos com hífen. Segundo o VOLP, o certo é grafar "tão somente" e "tão só". Na mesma página, ensina que "bumba-meu-boi" é assim, e agora é assim: "bumba meu boi".
Para entender o Acordo precisamos entendê-lo realmente... percebendo uma certa dose de arbitrariedade, em especial no que tange ao uso do hífen.
 
sexta-feira, 17 de julho de 2009.
Acordo sem mistério
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Nunca pensei que as novas regras ortográficas estivessem cercadas de mistério. Mas entendo o apelo comercial desse A nova ortografia sem mistério: do ensino fundamental ao uso profissional, pela Lexikon, da autoria de Paulo Geiger e Renata de Cássia Menezes da Silva.

O melhor do livro, a sua contribuição específica, são 60 páginas em que os autores fazem uma "lista da humildade", como eu costumo chamar, com 4 mil palavras e locuções que foram alteradas pelo Novo Acordo.
 
domingo, 19 de julho de 2009.
Notícias de Rondônia
A necessidade de estudar o Acordo pode levar ao desejo de rever algumas questões ligadas à produção e criação do texto em geral. Em Rondônia, uma iniciativa desse tipo. O Centro de Tecnologia e Educação de Rondônia (Cetene) promove um curso de atualização (redação oficial, questões gramaticais, ortografia...), entre os dias 20 e 24 de julho, destinado a servidores da Funasa — Fundação Nacional de Saúde.

Está aí um exemplo a ser seguido!

 

terça-feira, 21 de julho de 2009.
Cadê a graça?
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Confesso que não vejo nada de divertido no Acordo, nem neste livro, de Andrey do Amaral. Chamar o trema de "fantasminha camarada" porque morreu mas de vez em quando vai aparecer em alguns nomes estrangeiros (Hübner, Citroën...) não chega a ser uma piada.
Mas, enfim, compreende-se o apelo comercial. Mais um título ajudando a difundir as novas regras ortográficas.
 
quarta-feira, 22 de julho de 2009.
Mensagem do aquém...

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Falando em fantasmas... uma internauta em algum lugar da web deixou sua opinião sobre o novo Acordo. Sem coragem de identificar-se, usou o nick "fantasma da net":
"Este é o meu comentário: sempre tive orgulho de ser portuguesa e de escrever e falar bem o português. A partir do momento em que vão começar a assassinar bárbaramente a nossa cultura para 'facilitar' a vidinha a outros países de língua 'pretuguesa', esse meu orgulho perde a razão de existir."
 
quinta-feira, 23 de julho de 2009.
Notícias de Fortaleza
O Instituto Municipal de Pesquisas, Administração e Recursos Humanos (IMPARH), em Fortaleza, abriu inscrições para o curso "Conhecendo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa". Para se inscrever é necessário ter concluído ou estar concluindo o 9º ano do Ensino Fundamental. Há 120 vagas disponíveis. As aulas terão início nos dias 17 e 19 de agosto.

Os interessados devem inscrever-se das 8h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira, pelo telefone (de Fortaleza): 3433-2969. Local das aulas: Centro de Línguas do Imparh, na Avenida João Pessoa, nº 5609, bairro Damas. Há uma taxa de inscrição de R$ 80,00.
 
sábado, 25 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"A pretexto de expandir e fortalecer a nossa língua, levantaram um monstro chamado acordo ortográfico que estava moribundo e abandonado desde 1990, devido à sua inutilidade e ao perigo que representa para o idioma." (Duarte Afonso, romancista português)
 
segunda-feira, 27 de julho de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Não agrada a todos, não estabelece consensos. Faz parte do jogo democrático, onde prevalece a vontade de muitos sobre a vontade de poucos. Os especialistas estudaram o Acordo Ortográfico durante muitos anos e chegaram à conclusão de que era necessário mudar determinadas coisas em função de certos fatos, certas tendências que foram observadas. É precário como tudo." (Gilberto Gil, músico e ex-ministro da Cultura)
 
terça-feira, 28 de julho de 2009.
Notícias de São Carlos (SP)
O programa Universidade Aberta à Terceira Idade, vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, abriu vagas para o curso "Nova ortografia e dificuldades especiais da língua portuguesa". Inscrições entre os dias 3 e 4 de agosto, das 9h às 12h e das 14h às 17h, no Centro Cultural, à Avenida Dr. Carlos Botelho, nº 1.465, cidade de São Carlos (SP).
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
As aulas serão dadas a partir de 12 de agosto, às quartas-feiras, das 9h às 10h. A professora responsável é Regina Maria Pinheiro de Siqueira (foto ao lado).
Mais informações pelo telefone (16) 3373-9106, ou pelo email centrocultural@sc.usp.br.
 
quarta-feira, 29 de julho de 2009.
Notícias de Maringá (PR)
Amanhã, dia 30 de julho, às 19h, na PUC-PR, campus Maringá, será realizada a Aula Inaugural do Curso de Extensão da instituição. O tema: a Nova Ortografia. São 120 vagas. As inscrições podem ser feitas no Centro Acadêmico, e o custo é um litro de leite.

Parabéns pela ideia!
 
sexta-feira, 31 de julho de 2009.
O Acordo em Lages (SC)
Ontem, na cidade de Lages (Santa Catarina), li três dos jornais mais conhecidos no local, produzidos na cidade. Os três, Correio Lageano, O momento e O repórter já obedecem às novas regras ortográficas. Há um ou outro escorregão (encontrei um "dia-a-dia" com hifens que já caíram, por exemplo), nada sério. Em geral estão de acordo com o Acordo, o que ajudará a população de Lages a praticá-lo, no seu dia a dia.
 
domingo, 2 de agosto de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Este Acordo é uma ideia um bocado peregrina." (Eduardo Lourenço, escritor português)
 
segunda-feira, 3 de agosto de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
“Um acordo [...] é um encontro de vontades, fundado no reconhecimento da dignidade das partes, sem preconceitos, complexos ou reservas mentais, [que] implica disposição para o diálogo e para a abertura, não o fechamento em comportamentos autistas. [...] Ao contrário do que tem sido dito, o Acordo Ortográfico é uma das questões mais debatidas dos últimos 20 anos.” (Carlos Reis, ensaísta e professor português)
 
terça-feira, 4 de agosto de 2009.
Os 10.500
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O ideal é poder consultar o VOLP — Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa —, mas toda e qualquer lista pode ser útil. Como a que está nesse Guia da Reforma Ortográfica, que divulga o texto integral do Acordo e apresenta 10.500 vocábulos. A editora On Line é a responsável por este "mapa" ortográfico.
 
quarta-feira, 5 de agosto de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Com tantos problemas para resolver, o Brasil saiu na frente, como se fosse caso de máxima urgência... Juro que tentei entender as razões dessa intervenção na língua, mas não 'percebo', como dizem os nossos irmãos lusos. Me parece algo da mais completa inutilidade, falta do que fazer, coisa de acadêmicos ociosos e diplomatas de punhos de renda. Fosse inócuo, vá. A gente aceitava e ponto. Mas o tal acordo é bem incômodo." (Luiz Zanin, jornalista e escritor)

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2009.
Acordo na Fuvest
A FUVEST — Fundação Universitária para o Vestibular — adotará as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa nas provas de 2010. Lembrando, porém, que ainda estamos num período de adaptação. De modo que os candidatos poderão seguir ou não as novas regras ortográficas nas provas dissertativas da segunda fase.

Aqui temos uma "pegadinha". Os candidatos que não usarem trema, por exemplo, deverão seguir todas as demais regras do Acordo. Os que se mantiverem na ortografia "antiga" também deverão ser coerentes com sua escolha.

Quanto àqueles que corrigem as provas... dupla atenção para um tempo de dupla ortografia!
 
terça-feira, 11 de agosto de 2009.
Revisão e Acordo
No dia 12 de setembro (sábado), daqui a um mês, haverá um curso de 6 horas sobre revisão, já no espírito do novo Acordo Ortográfico. O público-alvo são revisores, preparadores de originais, editores, assistentes editoriais, redatores, jornalistas, publicitários, estudantes e demais interessados.

São 30 vagas. Valor: R$ 130,00. O curso será ministrado pela professora Ana Cristina Mendes Perfetti, revisora e preparadora, atuante no mercado editorial há mais de 10 anos (Editoras Scipione, Ática, Casa Amarela, Scortecci, Nobel, Ediouro).

Informações na Escola do Escritor.
 
quinta-feira, 13 de agosto de 2009.
Notícias de Chapecó (SC)
A Unochapecó lançou este mês a segunda edição de um curso a distância sobre o Acordo Ortográfico. A ênfase está em exercitar essas mudanças ortográficas.

O curso será realizado em ambiente virtual de aprendizagem, de 28 de agosto a 30 de outubro. São 45 horas/aula. Inscrições para 50 vagas, até o dia 19 de agosto, pelo site www.unochapeco.edu.br/inscricoes. Valor: R$ 70,00.

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Cada vez mais, em Portugal e no Brasil, levantam-se vozes dissidentes contra as novas normas que mais separam do que aproximam os povos da lusofonia. Acreditamos que esse sentimento contrário ocorra, pois o espírito do Acordo não representa a universalidade da língua portuguesa, preconizada pelo padre António Vieira e ratificada por Fernando Pessoa." (Ângela Dutra de Menezes, escritora brasileira)
 
quarta-feira, 19 de agosto de 2009.
Onde fica o bom-senso?
Depois de tudo, ainda restam incongruências. Uma das mais gritantes fere o bom-senso... É a própria locução "bom-senso", com hífen oficialmente, segundo o Volp, mas sem hífen no novo Dicionário Houaiss e em outras fontes.

Impasse...
 
sexta-feira, 21 de agosto de 2009.
Correções e aditamentos à 5ª edição do Volp
Não foi muito divulgado. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa em sua 5ª edição recebeu correções e aditamentos nesse encarte. Também aqui.

São muitas correções, o que me deixa um tanto perplexo.

Exemplos: "bule" aparecia como substantivo feminino (s.f.), "bielo-russo" não tinha hífen, "fonofoto" tinha sido classificado como substantivo masculino (s.m.), "radom" saiu sem acento, etc.

São mais de cem aditamentos. Um deles causa muita estranheza. É a exclusão da palavra "superávit". O termo aportuguesado, de amplo uso, está desaconselhado agora? No seu lugar devemos empregar superavit, palavra latina?

E por que manter "défice" no Volp, aportuguesamento de deficit?

E quem tinha inventado o verbo "preditar", que agora sai pela porta dos fundos?
 
terça-feira, 25 de agosto de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O acordo ortográfico é uma merda." (Millôr Fernandes)

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Daqui a pouco ninguém mais se lembrará da reforma." (Cristovão Tezza, escritor)
 
sexta-feira, 28 de agosto de 2009.
Considerações ortográficas
Perguntaram-me ontem se convinha ou não adotar as novas regras ortográficas em toda e qualquer circunstância, na vida profissional, nos textos corriqueiros do dia a dia, em textos acadêmicos, num blog. O risco, em alguns casos, seria escrever "errado" aos olhos dos que ainda escrevem "idéia" com acento, não abrem mão do trema e continuam fiéis ao uso do hífen anterior ao Acordo.

Período de transição é assim mesmo, respondi. Talvez, em determinados lugares, não faça diferença escrever do modo "antigo" ou do modo "novo". Na vida acadêmica, a meu ver, convém seguir o Acordo desde agora. Em várias empresas não houve nenhuma determinação concreta e cada um vai escrevendo como bem entende.

Meu desejo, como professor e escritor, é que as novas regras sejam rapidamente assimiladas. Mas admito que para a maioria das pessoas as questões ortográficas ocupam os últimos lugares na lista de suas preocupações e urgências. Se é que chegam a constar dessa lista...
 
domingo, 30 de agosto de 2009.
Novo Corretor Aurélio 2.0
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O novo corretor Aurélio 2.0 pode ser um bom instrumento para nos adaptarmos às novas regras ortográficas.

A pedra de toque é a questão do hífen. E aí o bicho pega.

Nos casos de "mal-usar", "mal-estar" e "mal-estreado", o corretor foi bem e me corrigiu ipso facto quando escrevi sem o hífen, mas "malvaalgodão" ficou intacto, com a sugestão equivocada de que eu escrevesse "malva algodão". O certo é "malva-algodão", segundo o Volp.

Quando digitei "bicho de pé", o corretor não se manifestou, e o certo é "bicho-de-pé". Digitei "secretário geral" e ele continuou quieto. O correto é "secretário-geral".

Será que estou pedindo demais?

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2009.
Ainda o Corretor Aurélio
Ontem eu me perguntava se estava pedindo demais ao Corretor Aurélio. A matéria que Thaís Nicoleti de Camargo publicou na Folha de ontem foi muito mais exigente, e com toda a razão.

A articulista mostra que o revisor não consegue detectar a perda de hífens em determinadas palavras, como em "mão de obra", "pai de santo" ou "calcanhar de aquiles". Que embora seja eficiente para acentuar as palavras, não percebe a falta de acento em uma forma como "espera-la". Que no caso polêmico das grafias "coerdeiro" (nova) e "co-herdeiro" (antiga), considera que ambas estão erradas.

Em suma, é preciso conhecer ortografia para poder confiar (desconfiando) no novo produto aureliano...
 
terça-feira, 1 de setembro de 2009.
Notícias de Aracaju
Começa hoje, em Aracaju, o curso "Capacitação em Língua Portuguesa, à luz do novo acordo ortográfico". Será ministrado pela professora Wilma de Oliveira Ramos, na sede da Escola de Contas (Ecojan) do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O curso está direcionado aos servidores do tribunal de Sergipe, o que torna ocioso informar horário, endereço etc., mas é sempre bom saber que há iniciativas desse gênero.
 
quinta-feira, 3 de setembro de 2009.
Errar é humano... e imortal
Com este título, artigo meu sobre o Acordo no Observatório da Imprensa. Desde terça-feira. É só clicar aqui.
 
segunda-feira, 7 de setembro de 2009.
Arroubo nacionalista
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Como se invasores alienígenas estivessem ameaçando o Brasil por terra, céu e mar, um amigo outro dia declarou, assustado e nervoso: "sou patriota, não concordo com o Acordo, vou continuar a falar como sempre falei".

Disse eu a ele que deve continuar a falar como bem quiser, mesmo porque as regras ortográficas têm a ver com a escrita, e não com a fala...

 

terça-feira, 8 de setembro de 2009.
Palestra sobre o Acordo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
É sempre bom divulgar iniciativas sobre o tema. Hoje, Dia Internacional da Alfabetização, o Prof. Dr. Gilvan Müller (e o trema em seu nome não deixa de ser uma ironia) vai ministrar a palestra O ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA: BASES POLÍTICO-LINGUÍSTICAS, às 20h, no auditório das Faculdades ESPAM, em Sobradinho (DF).
 
quinta-feira, 10 de setembro de 2009.
Notícias de Uberlândia (MG)
No dia 15 de setembro, em Uberlândia, um curso de 4 horas sobre o Novo Acordo Ortográfico. Local: CEMEPE, na Av. Prof. José Inácio de Souza, 1958 – Bairro Brasil. Mais informações e inscrições com Ataísa ou Rejane Moura (tel.: 3212-1177):
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
sexta-feira, 11 de setembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O Acordo Ortográfico está em vigor no Brasil desde janeiro de 2009. Ele hoje norteia a ortografia oficial brasileira. Muito esforço e dinheiro já foram despendidos em aplicá-la. Já integra livros didáticos, dicionários, gramáticas, a imprensa. Já é parte do currículo escolar. A esta altura, a incipiente revolta contra sua adoção implicaria mais problemas do que soluções.
"Mais factível e mais construtivo do que repensar do zero a reforma — independentemente do rumo que outros países lusógrafos derem ao Acordo — será partir da nova ortografia e, nos dois anos e meio oficiais de adaptação, corrigir (inclusive , e para começar, no VOLP), por meio de diálogo e consenso, o que for necessário ou conveniente corrigir, como no processo normal na evolução do uso e das regras de uma língua." (Paulo Geiger, editor)
 
segunda-feira, 14 de setembro de 2009.
Dias contados
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. Este blog continuará sendo atualizado até o dia 31 de dezembro deste ano de 2009. Depois, outros voos... sem circunflexo!

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2009.
Mais um livro sobre ortografia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Conheci ontem, pessoalmente, Maurício Silva, autor de O novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pela Editora Contexto. E ganhei dele uma obra que acabou de publicar, Ortografia da língua portuguesa, também pela Contexto.

Conversamos sobre as questões polêmicas que a ortografia suscita, o interesse dos advogados pelas novas regras, a reação lusitana, a indiferença de boa parcela da população.

 

sábado, 19 de setembro de 2009.
Em busca do hífen perfeito
A busca do hífen correto depende de pelo menos três fontes: o Volp (levando em conta as correções e aditamentos), o Houaiss (cuja 2ª edição foi lançada no começo do ano) e o Aurélio (cuja 4ª edição acaba de sair).

Então, se quero saber se "rabo de galo" tem hifens, descubro...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Segundo o Volp, temos "rabo de galo" sem hífen, se for o aperitivo, e "rabo-de-galo" com hífens quando se trata da flor, também conhecida como "flor-da-imperatriz". Lembrando, porém, que foi em recente aditamento que a ABL corrigiu a ausência de "rabo de galo".
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
No Houaiss, só encontramos "rabo-de-galo", a flor, mas nada de bebida.

No Aurélio, temos "rabo-de-galo" e "rabo de galo", explicando que este último se trata de tradução de cocktail.
 
segunda-feira, 21 de setembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O Acordo Ortográfico é um acto colonial do Brasil sobre Portugal com regras que não são recíprocas. O Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz, como se os Estados Unidos impusessem um acordo ortográfico à Inglaterra." (Miguel Sousa Tavares, escritor e jornalista português)
 
terça-feira, 22 de setembro de 2009.
Curso virtual
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Um curso virtual sobre a reforma ortográfica. Está aí uma possibilidade. A oferta é feita pelo Portal Educação.

Alguns dos tópicos a serem abordados: a importância da língua portuguesa no mundo, mitos a respeito do Acordo Ortográfico, história da ortografia da língua portuguesa, os acordos anteriores, opinião de especialistas sobre o Acordo Ortográfico, discussões em torno das mudanças no uso do hífen...
 
sexta-feira, 25 de setembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
"A ideia de unificar a língua pela grafia é uma ilusão. Não concordo que tudo se chame português. Há variações e distanciamento que levam a que se possa dizer que há o brasileiro e há o português." (Sara de Almeida Leite, linguista portuguesa, uma das autoras do livro S.O.S. Língua portuguesa: guia temático para resolução de dúvidas em português, pela Editora Verbo)
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
sábado, 26 de setembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"A nova ortografia — que mexeu muito pouco no Brasil — não elimina a qualidade do conteúdo existente. As obras de referência ficaram obsoletas, mas não penso que ninguém vá deixar de comprar um clássico, como Cem Anos de Solidão, porque os tremas ainda estão lá." (Frederico Indiani, diretor de compras da Livraria Saraiva)
 
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Se eu fosse um escritor moçambicano ou português, faria passeata contra o Acordo! Mas sou brasileiro e por isso não me filio ao partido dos descontentes, dos críticos e de todos que acreditam que língua e poder não são coisas que se conjugam." (Charles Kiefer, escritor)

 

quarta-feira, 30 de setembro de 2009.
O Acordo vai avançando
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Aos poucos, todos os jornais vão aderindo ao Acordo Ortográfico. No Ceará, a partir de amanhã, o Diário do Nordeste passa a adotar as novas regras. As professoras Solange Maria Moraes Teles e Elane Silva Pereira, da Universidade de Fortaleza, foram as responsáveis pelo curso de atualização a que os jornalistas assistiram em junho e julho deste ano.
 
sábado, 10 de outubro de 2009.
Acordo agendado para 2010...
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Em 2009, digamos (num "chute" calculado) que cerca de 40% dos brasileiros alfabetizados entraram realmente em contato com as novas regras ortográficas. Ainda estamos por fazer do Acordo uma prática.

Entre alguns auxílios, proponho a compra da Agenda gramatical 2010. Adquiri ontem a minha, em Porto Alegre. É desta cidade a editora que a criou e comercializa: Editora Age.

Para alguns ainda é cedo, mas eu já estava precisando de agenda para o ano que vem. Aceleração do tempo ou o que seja, a agendinha é bem simpática e a cada dia ensina um pouco da nova Ortografia. São dicas objetivas e muito úteis, sob os cuidados de Paulo Flávio Ledur.

 

domingo, 11 de outubro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"É urgente desdramatizar as questões do Acordo. Há diferenças, mas as pessoas não precisam de entrar em pânico, até porque há regras que só vêm simplificar." (Graça Castanho, professora da Universidade dos Açores)
 
terça-feira, 20 de outubro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"O Acordo existe e passou por umas quantas cabeças de um lado e de outro. Se for preciso, sentem-se outra vez à mesa, puxem as esferográficas e avancem, que isto já se está a tornar caricato." (José Saramago)
 
sexta-feira, 23 de outubro de 2009.
Curso em novembro
No dia 14 de novembro, vou ministrar um curso sobre o Acordo na Editora Vida, em São Paulo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (011) 2618-7000 ou pelo e-mail atendimento@editoravida.com.br
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé (clique para ampliar o cartaz)
 
sábado, 24 de outubro de 2009.
Notícias de Caçador (SC)
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Cheguei hoje de Caçador, bela cidade de Santa Catarina, que possui pelo menos três jornais de circulação diária. Lendo as edições de ontem, vi que a adoção do Acordo ainda é, para esses jornais, uma conquista a se fazer.
O Informe não adotou: encontrei um "freqüentes" e uma "Assembléia".
O Extra, que tem alguns problemas graves de revisão, parece que adotou, com uma "ideia" sem acento, mas um "Ipoméia" acentuado faz pensar que aquele acerto pode ter sido por acaso.
O Folha da cidade tem uma "Assembleia" sem acento, mas na página 2 aparece uma "conseqüência". Acertou por acaso? Errou por inadvertência?
São três jornais modestos, o que não justifica a indiferença pelo Acordo. Seria, ao contrário, uma forma de ajudar os caçadorenses a assimilar as novas regras!
 
sábado, 31 de outubro de 2009.
O Acordo e o mundo lusófono
O Brasil lidera as atividades de implantação do novo Acordo, apesar dos pesares. Ainda serão necessários uns 10 anos para a total absorção das novas regras. Mas estamos caminhando. Caminhando mais do que Portugal, haja vista as resistências internas nesse país, e mais do que Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, em cujos debates nacionais ortografia não tem muito espaço. Outras prioridades há, e compreende-se.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Já Timor Leste, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde estão se esforçando por adotar a nova ortografia, por entenderem os benefícios que isso trará a seus países.
 
quarta-feira, 4 de novembro de 2009.
Notícias de Guiné-Bissau
A mídia lusófona noticiou que o representante do Brasil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o embaixador Lauro Moreira, realizará amanhã, dia 5, em Guiné-Bissau, uma palestra aos deputados guineenses sobre o Acordo Ortográfico e sua importância para os países lusófonos.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Guiné-Bissau ainda não ratificou o Acordo. E não o fez por enfrentar problemas internos mais urgentes, que tornam a ortografia questão menor. Contudo, o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior promete: "A instabilidade que temos vivido é que não possibilitou essa ratificação e vamos fazê-lo o mais rapidamente possível."
 
quinta-feira, 5 de novembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Estou abismado com o nível de dificuldade que o Acordo está trazendo para a vida nacional." (Senador Flávio Arns, do PSDB-PR)
 
sábado, 7 de novembro de 2009.
Notícias de Blumenau (SC)
Na semana que entra, a partir do dia 10, em Blumenau (SC), uma série de atividades culturais. É a I Feira do Livro Cultura em Movimento. A programação está aqui.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Para nossos efeitos, quero destacar a Oficina Nova Ortografia da Língua Portuguesa a ser ministrada pelo professor Alfredo Scottini, no dia 13 de novembro à tarde.

Scottini está lançando um dicionário escolar pela editora Todolivro, de Blumenau. Vou procurar:

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
terça-feira, 10 de novembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Ter certa idade (eufemismo para velhice) traz algumas vantagens. Uma delas, no meu caso, é essa de nenhuma reforma ortográfica ter mais o poder de me amedrontar. Passei por muitas (se eu tivesse sido bom aluno de matemática, poderia até enumerá-las) e, quando surge mais uma, eu a encaro com naturalidade." (Raul Drewnick, jornalista, escritor e revisor)
 
sexta-feira, 13 de novembro de 2009.
Curso amanhã
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé (clique para ampliar o cartaz)
Confirmado. Amanhã, às 9 da manhã, vou ministrar um curso sobre a nova Ortografia na Editora Vida. Quem quiser se inscrever, ainda há algumas vagas: tel. (11) 2618-7000, ou então por e-mail, com Rose: atendimento@editora.com.br
 
sábado, 14 de novembro de 2009
Pensamento ortográfico do dia.
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Sem um objetivo claro e com severas implicações financeiras, a reforma ortográfica apoia-se num documento lacunar e numa obra de referência marcada pela hesitação e pela inconstância nos critérios de regularização. Fica a incômoda impressão de que os custos serão bem maiores que os supostos benefícios." (Thaís Nicoleti de Camargo, professora e consultora de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL)
 
segunda-feira, 16 de novembro de 2009.
Desabafo
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"É, gente, eu havia me declarado ferrenho opositor às modificações impostas pelo (arrgh) Acordo Ortográfico... mas agora estou tendo que engolir suas regras, sob pena de perder valiosos pontos num concurso público (ou mais de um, talvez), caso insista em permanecer preso à norma antiga." (Um internauta)

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2009.
Acordo e desacordo na literatura
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Estou lendo aos poucos, pois aos poucos é que se leem os bons textos reunidos num só livro, Desacordo ortográfico, coletânea realizada pelo jovem escritor Reginaldo Pujol Filho. Chegou às livrarias este mês.
São 20 autores, brasileiros, africanos, portugueses: Altair Martins, Cardoso, Gonçalo Tavares, João Pedro Mésseder, Luandino Vieira, Luis Fernando Verissimo, Luís Filipe Cristóvão, Manoel de Barros, Marcelino Freire, Maria Valéria Rezende, Nelson Saúte, Olinda Beja, Ondjaki, Patrícia Portela, Patrícia Reis, Pepetela, Rita Taborda Duarte, Rogério Manjate, Xico Sá... e Reginaldo Pujol Filho, que se incluiu na coletânea, nada mais natural.
A editora chama-se Não Editora, nome apropriado para uma editora com despropostas como a deste livro.
 
domingo, 22 de novembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Uma declaração dos governos garantiria uma flexibilidade para uma realidade que tem vida própria — a língua. Mas, assinado o Acordo, a obrigação dos Estados é cumprir." (Adriano Moreira, presidente da Academia das Ciências de Lisboa)
 
terça-feira, 24 de novembro de 2009.
Notícias de Açores
"Acordar para o Acordo Ortográfico" é o workshop sobre as novas regras ortográficas que acontecerá na Universidade dos Açores, em 28 de novembro e em 5 de dezembro, tendo em vista que em Portugal o Acordo começará a valer a partir de 2010.

Mais informações, aqui ou aqui.
 
quinta-feira, 26 de novembro de 2009.
Notícias de Moçambique
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O vice-ministro moçambicano da Educação e Cultura, Luís Covane, disse em recente entrevista: "Estamos na última fase de constatação, junto com instituições relevantes para, de seguida, levar ao Conselho de Ministros. Estamos interessados em ratificar o Acordo Ortográfico."
A adesão efetiva dos países africanos tem sido lenta em virtude de fatores internos e externos. Internamente, alguns países, como Moçambique, enfrentam problemas sociais e econômicos graves, que fazem da ortografia questão insignificante. E externamente, as hesitações e resistências em Portugal não ajudam a que esses países, ainda culturalmente unidos à ex-metrópole, deem os passos necessários.
Mas estamos a caminho.
 
sábado, 28 de novembro de 2009.
Um guia prático
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Acaba de ser lançado um guia prático sobre a nova ortografia, de autoria do acadêmico Domício Proença Filho, pela Editora Record.
Este Ortografia da Língua Portuguesa é bem completo, bem ortodoxo. Suas 250 páginas valem a pena, e o preço não assusta: R$ 25,00. Se alguém quiser comprar na Livraria Cultura, há o desconto do + cultura, e cai para R$ 20,00.
 
segunda-feira, 30 de novembro de 2009.
O segundo Volp
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Em Portugal, foi lançado em outubro agora um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Porto Editora), com a orientação científica do Prof. João Malaca Casteleiro. Outro Volp, portanto! O primeiro, publicado pela Academia Brasileira de Letras em parceria com a Global Editora, chegou às livrarias em março deste ano.

Este Volp português possui cerca de 180 mil vocábulos. O brasileiro possui algo em torno de 340 mil.

Um esporte interessante é comparar um e outro. Por exemplo, cotejar a página 248 do Volp brasileiro com a 187 do Volp português, a partir da palavra "delicado".

Volp brasileiro:

delicado
delicatéssen
delícia
deliciado
deliciador
deliciamento
deliciante
deliciar
deliciável
deliciosa
deliciosa-da-beira
delicioso
délico
delicodoce


Volp português:

delicado
delícia
deliciadamente
deliciado
deliciar
deliciosamente
deliciosidade
delicioso
delicodoce


Para quem não sabe, "delicodoce" é outro adjetivo para designar algo piegas.
 
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Muito se falou dessas mudanças no país, outro tanto sobre elas se escreveu, cartilhas foram publicadas, suplementos de jornais e revistas editados, softwares desenvolvidos, opiniões contra e a favor debatidas, e o fato é que a mudança aí está, agora já em repouso, para, adotada, ser entendida, compreendida, continuar a ser debatida, e seguida." (Carlos Vogt, linguista e poeta)
 
domingo, 6 de dezembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Os portugueses não abrem mão das consoantes mudas, que não têm função, enquanto o trema, que tem função, foi eliminado." (Leodegário Amarante de Azevedo Filho, filólogo e crítico literário)

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Há muitos sítios onde as autoridades se recusam a ensinar português porque não sabem se o hão-de fazer na versão escrita brasileira ou europeia. Ora, tudo isso fica resolvido através do Acordo ortográfico." (José António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura português até outubro deste ano)
 
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009.
Notícias de Portugal
Agora é oficial. O novo Acordo Ortográfico será adotado em Portugal a partir de janeiro de 2010. Palavra da ministra da Cultura portuguesa, Gabriela Canavilhas, que assumiu o ministério em outubro deste ano.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
 
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009.
Mais (ou más?) notícias de Portugal
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
O escritor e tradutor português Vasco Graça Moura tornou-se o maior crítico ao Acordo Ortográfico. Deu entrevistas contra, escreveu artigos contra, assinou manifestos contra. Tem usado, em suas declarações, a palavra tipicamente lusitana, "asneira", para designar a atitude do governo português a favor desse "descalabro". Se dependesse apenas dele, o Acordo deveria ser esquecido ou, no limite, repensado de cabo a rabo.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Por isso, o seu elogio à decisão da nova ministra da Educação em Portugal, Isabel Alçada (foto ao lado), que afirmou dias desses não ser agora, em 2010, o momento de as escolas portuguesas adotarem as novas regras ortográficas. Vasco viu nessa atitude um "lampejo de bom-senso". Ou, talvez, uma chance de que se produza divisão interna entre os ministérios da Cultura e da Educação.

Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
A ministra da Cultura Gabriela Canavilhas (foto ao lado) já havia se pronunciado este ano, dizendo que o Acordo entrará em vigor em Portugal a partir de janeiro de 2010. A ministra da Educação declara que tão cedo o Acordo será ensinado nas escolas de lá.

Vasco Graça Moura aplaude a dissonância.

E agora?
 
sábado, 19 de dezembro de 2009.
Notícias do Maranhão
É significativo, e vale um aplauso, que antes do final do ano ainda haja tempo de se pensar nas novas regras ortográficas no âmbito educacional. A notícia vem do município de Timon, no Maranhão:
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
Para ver melhor o cartaz e as informações sobre este "Encontro com a Nova Ortografia", clique aqui.
 
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"A nova ortografia me deixou confusa, descobri que apesar de aventureira detesto mudanças." (Roseana Murray, escritora)
 
domingo, 27 de dezembro de 2009.
Pensamento ortográfico do dia
Diário da Nova Ortografia, de Gabriel Perissé
"Não há mais tempo para discutir esse pífio Acordo que aí está, assinado oficialmente pelas mais altas autoridades representativas de cada país. Mas, não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe, diz a velha sabedoria popular. Como se chegou a assinar este Acordo, é perfeitamente possível que se venha a assinar outro, o qual tornaria caduco o texto infeliz. O que seria benéfico para Brasil e Portugal, pois as coisas voltariam ao estado de graça em que se encontravam antes." (Marcos de Castro, jornalista)
 
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009.
Última postagem de uma história que ainda não terminou.
Este blog completa 1 ano de vida. Coloco um ponto final nas pesquisas e estudos que realizei sobre as novas regras ortográficas ao longo de 2009. A todos aqueles que acompanharam este "Diário da Nova Ortografia", o meu abraço!

E que 2010 seja um ano com muitas ideias e voos, sem perdermos a tranquilidade, jamais!